sexta-feira, junho 01, 2007

Vamos lá abrir a boca ...


Pode parecer que é mais uma das piadas do ministro Mário Lino mas, garanto, que não é.

Como é do conhecimento público, e sobretudo daqueles que utilizam os serviços da segurança social, os centros de saúde e os hospitais públicos não fornecem serviços de cuidados de saúde oral, que é como quem diz, nessas estruturas, os dentistas são praticamente inexistentes.

Para a totalidade do país, mesmo considerando que se trata de um pequeno país, temos disponíveis apenas 20 dentistas, 18 dos quais a exercer nos Açores e 2 em Trás-os-Montes. É pouco, praticamente nada. E, convenhamos, não é lá muito prático a quem resida em Faro ou em Leiria deslocarem-se a Trás-os-Montes ou aos Açores para irem tratar de uma cárie dentária ou extrair um dente. Não é prático e é muito caro.

E é por isso que, pela falta de dentistas nos serviços públicos, mais de metade dos portugueses adultos (60%) não tem acesso à medicina dentária, nomeadamente por falta de dinheiro, já que a quase totalidade dos profissionais do ramo trabalham no sistema privado.


Mas o governo, e repito que isto não é mais uma piada do ministro Mário Lino, promete reverter esta situação e os centros de saúde poderão vir a ter dentistas para dar resposta aos problemas básicos da saúde oral dos portugueses.
Assim sendo, o alargamento de serviços prestados nos centros de saúde é uma das apostas do governo para os próximos dois anos, muito embora o Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, avise desde já que a resolução deste problema demorará anos, muito embora não dissesse quantos...

De qualquer forma, é uma boa notícia e será muito bom que se comece a trabalhar rapidamente.

Em Portugal, o Programa Nacional de Saúde Oral existe apenas para as crianças e tem sido sucessivamente alargado dos 3 aos 18 anos. Desde que foi criado, contribuiu para uma grande evolução na saúde oral dos mais novos, mas, segundo o bastonário, ainda há muito por fazer.

Quanto ao resto da população, a oferta é praticamente nula. Não há serviços nem para a população de risco, como idosos, grávidas, doentes com HIV/sida ou pessoas que são sujeitas a cirurgias e para as quais uma simples infecção dentária é um risco..

Vamos, então, ser optimistas e imaginar que, finalmente, vamos pôr os portugueses de boca aberta (para tratar dos dentes, é claro).

Mas atenção, não comecem a pedir já o céu, pois o pacote de cuidados básicos pensado pelo governo, não contempla nem os implantes nem os branqueamentos, nem, tão-pouco, trata ... dos males de boca provocados pelas piadas e trapalhadas de ministros.
Para estas últimas, o melhor remédio continua a ser uma boa pitada de pimenta na língua ou, em último caso, a remoção (despedimento, se for caso disso) rápida desses ministros.