domingo, junho 24, 2007

A Prova


Não sei como descrever toda a emoção que senti naquele momento. Sei, apenas, que estava a chegar a um ponto de exaustão total - físico e psicológico - muitos foram os lugares que visitei, tantas foram as bibliotecas e os museus que vasculhei e por onde espalhei a minha curiosidade e ansiedade.

Há anos que tentava descobrir uma prova, um indício, uma pista, um papel, um reles papelucho amarelado e rasgado que fosse, que constituísse uma prova inequívoca de que os espanhois constituíam um perigo real para o nosso país. Tudo em vão. E o desânimo instalara-se, perfeitamente perdido no labirinto dos meus pensamentos.


Não me bastava ouvir vezes sem conta “De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos”. Não me chegava ver os espanhois tomarem conta dos melhores comércios e das mais prósperas indústrias por cá existentes.

Cada vez mais, eu desconfiava deles. Aliás, sempre estive mais alerta com os espanhois do que com os chineses, que, como se sabe, também estão a tomar conta de Portugal e do Mundo, com excepção da Madeira do Alberto João, evidentemente.

Eis, senão quando, desesperado por não obter quaisquer resultados que me dessem, pelo menos, alguma esperança, dou de caras com uma prova inequívoca e irrefutável – A Prova que me faltava – para afirmar com toda a propriedade de que os espanhois são de facto uns piratas.

Ou, pelo menos, foram-no em mil seiscentos e vinte e tal, como consta no testemunho que encontrei.

E, cesteiro que faz um cesto ...