terça-feira, novembro 13, 2012

A justiça tarda mas não falha


No dia de ontem, para além da visita de Angela Merkel a Lisboa houve outro acontecimento que teve um especial destaque: a extradição para Portugal de Vale e Azevedo.

Finalmente, depois de estar a residir (em grande estilo) em Londres desde 2009, de três pedidos de "habeas corpus" e de uns quantos recursos atrás de recursos, chegou ao fim da noite de ontem a Lisboa , o antigo presidente do Benfica para cumprir a pena de cinco anos e meio no estabelecimento prisional da Carregueira, não muito longe da sua residência de Sintra.

Useiro e vezeiro em truques que o mantiveram na capital inglesa apesar dos mandados de captura internacionais - e é bom sublinhar que ele nunca andou foragido porque sempre se soube onde estava - Vale e Azevedo foi preso este fim-de-semana pelas autoridades inglesas, versão que a sua advogada contesta, dizendo que o seu cliente se entregou. Certamente que esta novidade de se ter entregue quando a polícia o foi deter pretende ser uma atenuante para a pena que irá cumprir. Recorde-se que, inicialmente, tinha sido condenado a 11 anos e meio de prisão no âmbito dos casos "Dantas da Cunha" e "Ribafria", pena que o Supremo Tribunal de Justiça reduziu para cinco anos e meio. Mas Vale e Azevedo começou também a ser julgado pelos crimes de peculato, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e abuso de confiança, por ser acusado de apropriação indevida de quatro milhões de euros do Benfica, resultantes das transferências dos futebolistas Scott Minto, Gary Charles, Amaral e Tahar el Khalej. Em suma, um verdadeiro artista.

Como se costuma dizer "a justiça tarda mas não falha". Neste caso, porém, temos que admitir que tardou um pouco demais, embora reconheçamos que com muitas culpas da justiça inglesa.

Mas com João Vale e Azevedo, um burlão simpático e algo rocambolesco, nunca se sabe. Outros desenvolvimentos poderão acontecer ...