terça-feira, novembro 06, 2012

Por estas e por outras é que ando revoltado e deprimido.



Reconheço que tenho andado um tanto ou quanto deprimido. Eu e, certamente, mais uns milhares de cidadãos. As trafulhices que se vão conhecendo também não têm ajudado. Pudera! Na última sexta-feira, no programa "5 para a Meia Noite" da RTP1 o convidado de Nilton foi José Gomes Ferreira, o conhecido jornalista da SIC.

Foi uma conversa muito interessante e, mais uma vez, Gomes Ferreira, sem subterfúgios, esclareceu algumas questões que têm a ver com a vida de todos nós. Disse, por exemplo:

"... ainda hoje estamos a ver o IRS a aumentar e diz-se que se vai negociar um corte de 30% nas rendas das parcerias. Negociar? Ninguém negoceia nada. Está lá o dinheiro, está-lhes a cair no bolso. Só há uma solução: cortem, a direito, ponto". E pode-se cortar? "Claro, só lhes falta é a coragem. Avancem, nós estamos cá para os apoiar".

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" ... nós estamos num país que abriu as portas a uma coisa chamada Mercado Único, que permite as importações sem taxas aduaneiras, mas nunca ninguém disse que era obrigatório deixar de controlar as entradas. Neste país faz-se uma coisa chamada importação porta a porta. O que eu estou a dizer toca muito em certos grupos económicos que não gostam nada de ouvir isto. A importação porta a porta é chegar à Alemanha, à Itália ou à França e contratar o carregamento. Vem o camião ou o comboio de camiões, chega cá, passou os controlos todos, nenhum polícia perguntou nada, telefona-se para lá e rasga-se lá os documentos e rasgam-se cá. Acontece todos os dias em Portugal. Essa mercadoria vai entrar no circuito económico e tem duas consequências gravíssimas para a nossa economia: vai concorrer com o produtor local, que tem que declarar a sua produção, portanto é concorrência desleal. E vai fugir aos impostos, sem entrar no circuito do IVA. Isto todos os dias se faz com muita importação. E os senhores que permitem isto são de Bruxelas. E permitem isto na União Europeia toda e em Portugal ainda é mais grave porque não há controlo nenhum ... e depois aumenta-se o IVA a quem vai comprar o pacote de arroz, a manteiga e outras coisas. E como não é obrigatório o consumidor final ter sempre uma factura, grande parte escapa ao controlo. Potencialmente grande parte foge aos impostos".


E embora eu não possa alterar este estado de coisas, é por estas e por outras que ando revoltado e deprimido. É que não deveriam ser sempre os mesmos a pagar.