segunda-feira, novembro 12, 2012

A visita de Angela Merkel


Li algures que o presidente do BPI, Fernando Ulrich (mau, em pouco tempo já é a terceira vez que escrevo sobre este senhor), considerou que a visita de Angela Merkel vai provar que Portugal é um parceiro sério e onde vale a pena as empresas alemãs investirem. Lembro que a visita relâmpago da chanceler andará na casa da meia dúzia de horas. E apesar de Merkel (a líder da potência que é o motor económico e político da Europa) ser, evidentemente, muito inteligente, não creio que em tempo tão escasso possa concluir que afinal os portugueses são sérios e muito trabalhadores. A não ser que se arranje um esquema.

A propósito desta possibilidade (de se arranjar uma artimanha), lembrei-me do que se passou na minha empresa quando, há anos, uma consultora internacional foi contratada para reorganizá-la, ou seja, para mandar embora o maior número de trabalhadores possível. Foi então que alguém se lembrou de pedir aos colegas do Departamento que estavam a trabalhar em serviços externos que telefonassem de quarto em quarto de hora (fazendo-se passar por empregados de outros Departamentos da empresa) para pedir pareceres ou esclarecimentos técnicos (que faziam parte da nossa competência) previamente combinados. Escusado será dizer que a equipa da tal consultora ficou tão impressionada com o enorme volume de chamadas e com a qualidade das nossas intervenções (embora, do ponto de vista técnico, eles não percebessem lá muito bem o que se passava ali) que concluíram que no nosso Departamento, ao invés de reduzir o número de quadros deveria aumentar em duas unidades. "Voilá"!

Ainda temos umas horas para urdir um plano. Caso dê certo, a chanceler alemã pensará que, afinal, os portugueses não são mandriões como se dizia e que, tal como Ulrich adiantava, Portugal é o sítio ideal para as empresas alemãs investirem.