quarta-feira, novembro 28, 2012

Será que temos mesmo vivido acima das nossas possibilidades?


Já não tenho pachorra para ouvir que "temos vivido acima das nossas possibilidades". Chega de culpabilizar os portugueses por terem usufruído algumas das coisas que ao longo de anos os poderes e a banca foram "insinuando" como bons. Nesses tempos havia muito crédito acessível para a compra de casas, de carros, de viagens e dos mais diversos bens de consumo. Porque não "entrar na onda"? Afinal, todos ganhavam com isso.

Ainda por cima, muitos desses "ricos" que puderam trocar de carro algumas vezes ou que compraram habitação própria, ou mesmo uma segunda casa, conseguiram pagar integralmente os seus empréstimos dentro dos prazos ou mesmo antecipá-los, suportando todos os juros, comissões, spreads, seguros de vida e impostos para o Estado. Então esses também viveram acima das possibilidades. Também são "culpados"? É que a maioria dos que contraíram empréstimos bancários não foram irresponsáveis.

Tal como não podemos apelidar de irresponsáveis todas aquelas pessoas com mais de 60 anos (muitas já reformadas ou pensionistas) que se debatem com problemas de sobreendividamento, muitas delas que não tiveram outra alternativa senão pedir dinheiro aos Bancos ou a outras entidades para cuidar dos filhos (às vezes casados e com prole) desempregados que tiveram que regressar à casa paterna, ou para amparar familiares idosos. Tal como não podemos chamar irresponsáveis ou negligentes às famílias que tiveram que pedir ajuda financeira porque os seus elementos ficaram desempregados ou sofreram cortes salariais.
Admito que em muitos casos tivesse havido uma má gestão familiar ou mesmo alguma irresponsabilidade, mas não podem culpar a generalidade dos portugueses pelas políticas que foram implementadas ao longo de décadas, e por sucessivos Governos, e que induziram, naturalmente, os cidadãos a um certo consumismo. E não podem porque é injusto!


1 Comments:

At segunda-feira, dezembro 10, 2012 10:05:00 da tarde, Anonymous Vexata said...

Mas uma coisa é certa, todos pagaremos os devaneios próprios ou dos outros. Uma perfeita justi
ça, como a deste Estado de coisas!

 

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