sexta-feira, fevereiro 22, 2013

O café era o mesmo mas … faltava o ambiente

 
Não sei se já lhes contei que, ainda bebé, vivi em Viana do Castelo. Os meus pais moravam num prédio pequeno, perto do centro da cidade e tinham por vizinhos pessoas muito simpáticas. Segundo me contaram, um desses vizinhos tinha uma mania peculiar, um ritual, se assim lhe podemos chamar. Todos os dias depois do jantar tinha que ir beber um café ao estabelecimento que ficava no mesmo prédio.
 
A despeito da mulher lhe dizer que o café que ela fazia era tão bom como o outro, o marido insistia e todos os dias, acabada a janta, lá descia a escada para ir beber o tal cafezinho.

Um dia a mulher, minhota dos sete costados, esperta, decidiu ir ao café buscar “o café” tão especial que o marido não dispensava. Nessa noite ele não iria dizer mal do café, o mesmíssimo que ele costumava beber no r/c do prédio.

Ao jantar, contou-lhe que, naquele dia, ela tinha feito o café de uma maneira especial e que ele iria gostar. Esperou que o marido terminasse e perguntou: “E então, hoje está ou não está muito bom?”
O marido remexeu-se na cadeira, pigarreou um pouco, ponderou na resposta que lhe custava a sair e, por fim, articulou: “Sim, está bom, mas …”
 
Mas o quê?, atirou furiosa a mulher. Acabei de ir lá abaixo busca-lo. É igual ao que tomas todos os dias”.
 
“Uhmmmm ... sim, ele está mesmo muito bom mas, sabes, falta-lhe o … ambiente!”