sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Quando a música era outra ...

 
Entre 1992 e 2003 o maestro Miguel Graça Moura presidiu à Associação de Música, Educação e Cultura (AMEC), que geria a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a qual, de resto, foi fundada e dirigida pelo próprio maestro.

Só que o percurso de Miguel Graça Moura na instituição foi algo tumultuoso e as esperadas notas musicais tiveram, sobretudo nos anos 90, interferências de outras "notas" e o maestro foi acusado de ter gasto cerca de 720 mil euros de dinheiro público em viagens, gravadores, aparelhagens de áudio, vinhos, charutos, jóias, mobiliário, artigos de lingerie masculina e feminina, livros e CD's, obras de arte e supermercados.

E estas tropelias - que, segundo o coletivo de juízes que o julgou e condenou a cinco anos de prisão, com pena suspensa, pelos crimes de peculato e falsificação de documentos - foram feitas pelo músico de forma consciente, usando dinheiros públicos para proveito pessoal. Aliás, segundo o Ministério Público, Miguel Graça Moura não fazia distinção entre despesas da AMEC e pessoais, utilizando indistintamente cartões da instituição (que integra a Orquestra Metropolitana), e de contas de que era titular.

Para além da condenação dos 5 anos (ainda teremos que esperar pelo resultado do recurso para a Relação), o maestro terá de pagar indemnizações de 30 mil euros à Câmara Municipal de Lisboa e 690 mil euros à AMEC, dos quais 200.000 euros terão de ser pagos no prazo de um ano. Em caso de incumprimento destes pagamentos, o maestro será preso. Só não sabemos qual foi a decisão do Tribunal relativamente ao pagamento de juros, que devem ser muitos.

Ao que parece Graça Moura tem (ou teve) algum prestígio como músico. E como músico de gabarito até percebo alguns dos gastos imputados à Associação que geria a Orquestra Metropolitana de Lisboa. Como viajar, por exemplo, coisa que ele fez abundantemente pelos Estados Unidos, Argentina, México, Tailândia, Singapura e outros destinos exóticos, muitos deles, certamente, de onde não trouxe quaisquer mais-valias nem para a AMEC nem para a Metropolitana. Nem percebo como é que o erário público suportou despesas com vinhos, charutos, jóias e "lingerie masculina e feminina", artigos que nada têm a ver com actividade que era exercida.

O que também me faz confusão é que, durante todo o período em que se registaram estes abusos, não houve quem - pessoa ou organismo - questionasse o tipo de despesas efectuadas e terminasse com o regabofe. Mas isso são outras músicas.