segunda-feira, abril 14, 2014

Afinal, o problema não é deles, é meu, é nosso, é do país ...



Assunção Esteves pertence a um certo grupo de pessoas que vai dizendo, aqui e ali, umas coisas que caem mal junto dos portugueses. E o pior é que não se trata de inabilidade política, ela diz (eles dizem) o que realmente sentem. E, no caso da Presidente da Assembleia da República, ela tem o hábito, naquele seu esquema de "toca e foge", de responder aos jornalistas sorrindo e a correr, deixando frases isoladas que, porém, querem dizer tudo.

A propósito da próxima comemoração dos 40 anos do 25 de Abril, Assunção Esteves confirmou que os militares da Associação 25 de Abril foram convidados para assistir à cerimónia mas que não poderiam fazer qualquer discurso. E se eles não aceitarem, perguntou um jornalista? Nesse caso, respondeu, "o problema é deles". Uma resposta do tipo "temos pena", digna de um adolescente mal-educado. E, como se não chegasse, a Presidente da Assembleia da República foi mais longe e classificou as reivindicações dos militares a usarem da palavra na cerimónia como algo "que não existe".
 
Só que - enorme equívoco - o problema não é "deles" (dos militares). O problema é da senhora Presidente da Assembleia da República que não quer ser incomodada com um discurso que, provavelmente, sairia do "alinhamento normal" do discurso parlamentar, nomeadamente os vindos das bancadas da maioria. Ainda por cima numa comemoração de uma data redonda, em que os "velhos" capitães de Abril poderiam ser incómodos ao lembrarem as ambições e o espírito de Abril que, à força, nos têm querido fazer esquecer. É, digo eu, a mania dos Capitães de Abril de quererem o protagonismo no 25 de Abril, só por que (coisa pouca) derrubaram uma ditadura de 48 anos.
 
Por isso digo, o problema não é da Presidente da Assembleia da República, o problema é meu, é do país que tem como segunda figura do Estado a Dra. Assunção Esteves que já demonstrou por várias vezes não ter um pingo de bom senso. E, seguramente, que essa teria que ser uma das qualidades exigidas para se ser a segunda figura do Estado português.