terça-feira, abril 15, 2014

Quando se atiram foguetes antes da festa ...



Mostrar demasiado entusiasmo perante vitórias previamente anunciadas (no desporto como na política) pode ser muito perigoso. "Cantar de galo" antecipadamente não costuma dar muito bons resultados.

Vejam a recente euforia patenteada pelo Governo quando há poucas semanas erguia cartazes a dizer que "há sinais de recuperação que não podem ser ignorados e que nos indicam que estamos a ir pelo caminho certo. Até porque os mercados voltaram a confiar em nós. Os portugueses estão quase a senti-lo no seu próprio bolso".

Aconselharia o mais elementar bom-senso que os resultados obtidos com a subida das exportações, a redução das importações, as taxas de juro a cair e a descida do desemprego - embora todos esses indicadores sejam encorajadores - fossem geridos de forma cautelosa porque tamanha "festança" corre o risco de acabar de repente e deitar abaixo as expectativas entretanto geradas. Até por que os dados positivos anunciados, não se fazem sentir na vida concreta das pessoas. O empolamento da tal euforia pode, portanto, tornar-se perigoso.

E já esta semana se soube que houve um abrandamento do crescimento das exportações e uma aceleração das importações (portanto, um recuo na balança comercial que se quer equilibrar) e o desemprego que parece ter estabilizado, poderá crescer, segundo a previsão do FMI. Mas, mais importante que os resultados da recuperação (que sobem e descem), o que me parece fundamental é perceber-se que eles são fruto de circunstâncias (a que nós quase sempre somos alheios) e não de uma alteração estrutural, de uma modernização da nossa capacidade produtiva, a qual, efectivamente, não se verificou. Daí a continuação do nosso empobrecimento.

É o que dá atirar os foguetes antes da festa!