quinta-feira, abril 19, 2007

Afinal, "o rei vai nú"


“No comer e no coçar, o mal está em começar”. Este provérbio há muito conhecido, começa agora, numa fase em que ninguém sabe de nada mas que de tudo se desconfia, a permitir que se pense na sua reformulação, que poderá muito bem vir a ser “Na desconfiança e na investigação, o mal está em começar”.

Para além da “novela Sócrates” que já começa a enfadar os portugueses, mais preocupados que estão com os reais problemas do país, surgem agora mais umas pessoas que, afinal, não são exactamente aquilo que diziam ou aparentavam ser.

É o caso do actual reitor da Universidade Independente (sempre ela ...), Jorge Roberto, que apresenta como habilitações um doutoramento em Comunicação e Documentação pela Universidade de Badajoz, local onde também se doutorou um dos vice-reitores, Raul Cunha. Ambos não têm os doutoramentos registados, o que não lhes permite usar legalmente os graus académicos de doutor.

É também o caso de Luís Arouca que em 1995 se assumiu Reitor da Independente (ela, outra vez...) quando, de facto, o cargo era ocupado pelo catedrático Ernesto Costa.

É ainda o caso de António Maria Ramalho Raposo, um “professor” de matemática, com uma carreira de 30 anos de ensino e supostamente licenciado em Economia e Finanças pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa, estabelecimento de ensino que nunca frequentou".

Pressinto que nesta altura muitas pessoas, pelo menos aquelas que têm mais exposição pública, que usam e abusam dos seus títulos académicos, possam não estar muito confortáveis com a possibilidade de virem a ser investigados e, eventualmente, poder-se chegar à conclusão que, afinal, "certas irregularidades" lhes possam impedir que continuem a ostentar os títulos que até agora têm utilizado impropriamente.

Se, por acaso, essas investigações forem um dia em frente, não sei se não chegaremos à triste conclusão que este país de doutores e engenheiros, não será, afinal, mais do que um país de habilidosos, prontos a assumir em plenitude, e com as vantagens daí decorrentes, títulos que, de facto, não possuem mas que lhes enchem a vaidade e os bolsos.

E, então, será caso para dizer que, afinal, “O rei vai nú”!