terça-feira, abril 17, 2007

A Lei das Incompatibilidades


Ainda hoje me pergunto (cheio de perplexidade, aliás) como é que eu, em tempos idos, pude achar alguma piada a Alberto João Jardim. Talvez há muito (esta é a desculpa que consigo arranjar para me justificar) ele dissesse coisas que me faziam rir, pela atitude vagamente anarquista que fazia passar.

Mas isso foi há muito tempo. Com a passagem dos anos, Alberto João, tornou-se debochado e arrogante, ao que juntou a fase da vitimação, teoria que tem feito passar intensamente junto dos madeirenses em especial, e na qual, todos os continentais (os cubanos, como outrora fazia questão de apelidar os que nasceram em Portugal Continental) o perseguem e o querem destruir.

E essa postura que assumiu, foi-o tornando cada vez mais detestável aos olhos dos portugueses. Sempre em crescendo, Alberto João, nunca perde a oportunidade para desdenhar de tudo e de todos e para achincalhar quem se lhe atravesse pelo caminho, incluindo as figuras do seu próprio partido de quem antes fora próximo.

E quanto a Portugal, enquanto pátria, a atitude é rigorosamente a mesma. Começou por se referir ao Continente como “o rectângulo” e, agora, mais recentemente, por “Marrocos de Cima”. Uma falta de respeito a que ninguém, por incrível que pareça, põe cobro.

A gota de água que provocou este último caudal de impropérios, a roçar a loucura, foi a recente “Lei das Incompatibilidades” que já foi votada na generalidade pela Assembleia da República e que Alberto João já garantiu que não vai ser aplicada na Madeira.

Penso que ninguém entenderá que numa parte do território português – a Madeira – possa haver dois pesos e duas medidas. Por um lado, mostra-se sempre pronta a receber (o muito) dinheiro do Orçamento Geral do Estado e, por outro, não quer aplicar uma lei emanada da Assembleia da República que é feita para todo o país, incluindo naturalmente as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

É incompreensível! Mas a verdade é que Alberto João não é insensível aos inúmeros interesses dos deputados do PSD Madeira, que acumulam a sua actividade parlamentar com a gestão das múltiplas empresas que fazem chorudos negócios com o Governo Regional.

E enquanto o presidente demissionário do Governo Regional da Madeira - que como demissionário, deveria apenas tratar dos assuntos de gestão corrente - continua a andar em folclórica pré-campanha eleitoral a fazer inaugurações diárias, ao mesmo tempo, vai insistindo na cabala contra a Madeira e vai disparando com o maior dos desplantes, frases como estas

“Vão aprovar uma Lei (das incompatibidades) que aqui a Madeira se recusa a aplicar”, ou

“Fazem as leis só para aborrecer”.


Francamente, já não há pachorra!


1 Comments:

At sexta-feira, abril 20, 2007 12:56:00 da manhã, Anonymous suponhamos said...

Concordo que o Alberto João, em tempos, parecia ser um aspirante de anarquista e, por isso, nos divertia.

Mas os tempos agora outros e, embora ele continue a ser o chefão lá do sítio, as votações no partido dele têm vindo a diminuir de eleição para eleição.

Daí eu pensar que aquela República das Bananas está a afundar-se e que, logo logo, vai ser o fim da macacada.

 

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