quarta-feira, outubro 07, 2009

De pé


Juro que até há pouco não entendia porque é que as pessoas aplaudiam de pé o final das representações de teatro e de ópera.


Eu acho que os artistas iriam ficar eternamente agradecidos mesmo que o público batesse as palmas sentadinho no remanso das suas cadeiras.


Mas não. Baixa o pano, a comoção salta e o público, como impelido por molas, levanta-se e aplaude arrebatadamente.


Pois só agora percebi essa necessidade colectiva de se erguerem de repente. Não é apenas para mostrarem o seu entusiasmo nem para distenderem as pernas encolhidas durante o espectáculo. Não, a verdade é outra.


É que quando se levantam uns quantos espectadores das primeiras filas, os que estão atrás deixam de ver o palco e, a partir daí, vá de se porem todos de pé. É o suficiente para que um teatro inteiro exulte – em pé - pelo espectáculo a que assistiram.


O que me falta compreender ainda é a razão que leva os tais espectadores entusiastas (e de pé), levados por uma emoção extrema, a gritarem até à exaustão “Bravô”, “Bravô”, “Bravô”. Bastar-lhes-ia dizer BRAVO à portuguesa, era mais nosso, mais genuíno. Enfim, na falta de melhor explicação, acredito que tudo não passe de um mero vociferar bacoco.