segunda-feira, julho 04, 2011

Necessito ver resultados. Só a mudança de tom não chega



Já se via por aí muita gente a bater palmas ao novo Governo. Provavelmente pela forma discreta como se organizaram, pela juventude dos seus membros que deixava antever a ausência de vícios que se conheciam aos anteriores e, sobretudo, pela esperança de uma mensagem que apontasse para uma maior transparência. A tal “verdade ao povo” que o povo tanto ansiava.

Mas as palmas têm vindo a diminuir desde o debate do programa de Governo que foi efectuado na Assembleia da República na semana passada. Não porque esse primeiro encontro tivesse sido marcado por toda aquela crispação a que nos habituámos nos últimos anos. Ao contrário, houve uma calma e uma civilidade muito grande e uma enorme mudança de tom. Possíveis, penso eu, pela expectativa da oposição mas, também, pela postura que os novos ministros apresentaram. Muitos deles tão serenos que pareciam pedir desculpa por estarem ali.

Mas, então, por que é que as palmas têm vindo a abrandar? Principalmente porque a mudança de tom não é, por si só, suficiente e as “mentirinhas” que já conhecíamos a outros executivos começaram a aparecer. Pois não foi este Primeiro-Ministro que garantiu há poucos meses que, a aumentar os impostos só o faria sobre aqueles que penalizassem o consumo e nunca os dos rendimentos? Pois foi e aí está, preto no branco, o imposto extra sobre o subsídio de Natal que vai afectar uns largos milhões de portugueses. Na senda de Guterres, de Durão Barroso e de Sócrates, também Passos Coelho prometeu e não cumpriu.

Mas há uma coisa que me deixa ainda mais perplexo. Como justificar que se tenha aberto uma crise política e derrubado um governo a pretexto de que o famosíssimo PEC 4 não resolvia os problemas do país e, nomeadamente, com o argumento de que não havia motivos para que um pacote daqueles viesse a castigar ainda mais os portugueses? E o que se verifica, é que a nova maioria, uma vez no poleiro, apresenta um programa (chamemos-lhe PEC 5) que responde ao memorando assinado com a troika (pudera, tinha que ser) mas é ainda mais arrojado e mais penalizador para os cidadãos do que o outro que tinha sido rejeitado.

Até agora, o único apontamento positivo (se é que se pode considerar assim) consiste na mudança de tom. Aparentemente há mais serenidade e maior abertura para responder aos adversários mas, quanto ao resto, fico à espera. É que eu, ao contrário de muito boa gente, não costumo avaliar as pessoas apenas pela simpatia ou pela escolha das gravatas ou dos adereços que utilizam. Necessito ver resultados e esses (para além do 13º) ainda levam algum tempo a chegar. É que a procissão ainda vai no adro…