segunda-feira, julho 18, 2011

Poupanças imprescindíveis?

Quando os Governos tomam posse os cidadãos costumam mostrar alguma condescendência para com quem chega, o período de tempo a que normalmente se chama o “estado de graça”. Com isso, dá-se alguma folga aos novos governantes para que tenham tempo para conhecer os dossiers e os cantos à casa para, só depois, começarem a actuar. Porém, devido à situação em que se encontra o país, este Governo não tem direito ao tal “estado de graça”. As soluções têm que aparecer e já. Mas que soluções, e a que preço? Vejamos duas delas:

1 - Assunção Cristas, responsável pelo super Ministério da Agricultura, Mar e Ordenamento do Território entrou a matar. Para conseguir reduzir as despesas do Ministério, direccionou a sua atenção para o ar condicionado. Assim, e para manter frescos e operacionais os funcionários sem gastar demasiada energia, decidiu que os homens poderão trabalhar sem gravata enquanto que as senhoras poderão envergar trajes um pouco mais ligeiros. O ar condicionado vai continuar ligado mas não poderá estar acima dos 25º. Contudo, para além do aspecto ambiental da medida, fica por saber que ganhos significativos se irão conseguir? Ao que confessou a Ministra, nem ela tem noção disso, pelo que se prevê que, nos próximos meses, para que se registe ainda maior poupança, os homens possam vir a vestir camisolas de alças à camionista e elas bikinis e, claro está, todos eles devem calçar havaianas. Tudo em prol duma factura de energia com valores mais baixos.


2 – Como foi anunciado o Governo encolheu, tem menos Ministérios e um dos que desapareceu e foi substituído por uma Secretaria de Estado foi o da Cultura. Mau sinal, digo eu. Embora os dinheiros devam ser canalizados para sectores considerados prioritários (e a cultura não é seguramente um deles) é pelo menos preocupante que venha ser dada menor atenção às várias iniciativas culturais do país. Preocupação que se tornou ainda maior quando ficámos a saber que o Secretário de Estado da Cultura – Francisco José Viegas – é o único dos três Secretários de Estado que dependem do Primeiro-Ministro que não tem direito a assistir às reuniões do Conselho de Ministros. Não sendo uma desconsideração pelo Secretário de Estado (e acredito que não seja) por que é que a Cultura está impedida de se sentar na mesa do poder? Terão medo que ele fale mesmo sobre cultura ou será apenas para poupar o custo de uma cadeira?