quinta-feira, maio 24, 2012

Novamente o acordo ortográfico …


Há quem admita que no novo acordo ortográfico não fazem qualquer sentido as consoantes que não se leem. Contudo, o assunto é polémico.

Ainda há dias no Diário Económico li um texto de Luciano Amaral que referia:
"O Acordo Ortográfico baseia-se num princípio contraditório: uniformizar a partir da fonética. Ora, precisamente, a fonética divide mais do que unifica. É por isso que os portugueses devem passar a escrever 'receção' mas os brasileiros continuam com 'recepção', o mesmo acontecendo com 'exceção' e 'excepção', e muitas outras. A escrita portuguesa e a brasileira não vão ficar unificadas. No final, em termos estritamente ortográficos, o Acordo não é bom nem mau, ou pelo menos é tão mau como o que existe. É mau porque inútil e desnecessário: não resolve nada e unifica pouco. E sobretudo é mau por introduzir confusão onde os escreventes de português tinham já encontrado alguma estabilidade. Com tanta coisa para nos preocupar, ainda faltava começar a dar erros sem na verdade os dar”.

Concordo em absoluto com a análise de Luciano Amaral: o acordo é inútil, desnecessário e gera confusões.

Até o próprio Cavaco Silva, na visita que está a fazer a Timor-Leste, confessou:

“Todos os meus discursos saem com o acordo ortográfico mas eu, quando estou a escrever em casa, tenho alguma dificuldade e mantenho aquilo que aprendi na escola”.

Está tudo dito!

1 Comments:

At quinta-feira, maio 24, 2012 11:34:00 da tarde, Anonymous azul said...

"o Acordo não é bom nem mau (...) ou pelo menos é tão mau como o que existe. É mau porque inútil e desnecessário (...)E sobretudo é mau por introduzir confusão"
Em poucas frases, o acordo começa por não ser nem bom nem mau, depois passa a tão mau como o que existe e acaba por ser mesmo mau. Isto tudo em poucas frases. Parece-me que o autor tem mesmo razão: o acordo já lhe introduziu uma grande confusão nas ideias.

O argumento seguinte pode ser usado para acabar com qualquer discusão que não seja crianças a morrer de fome ou afins: "Com tanta coisa para nos preocupar, ainda faltava (...)"
No fundo, é parecido com o argumento: "Está tudo dito". Nem pensem em dizer mais nada, pois não há nada a acrescentar.

 

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