terça-feira, maio 08, 2012

O bodo


Uma semana depois da tão badalada iniciativa dos 50% de desconto do Pingo Doce, continuam no ar as interrogações sobre o que, de facto, se passou. 

Apesar do patrão Alexandre Soares dos Santos ter afirmado que não tinha tido conhecimento da campanha (?), a verdade é que ela aconteceu e exactamente num dia em que, em princípio, não deveria ter ocorrido. Mas isso são contas de um outro rosário que poderemos discutir outro dia. 

A aparente irracionalidade de uma campanha deste tipo (eu achei que o aconteceu foi um tanto ao quanto degradante) puxou pela racionalidade dos cidadãos que viram a oportunidade de, num só dia, poderem equilibrar os seus parcos orçamentos. E para quem não se importou de passar largas horas em filas, em ir de madrugada para as portas dos supermercados ou em enfrentar uns quantos empurrões, ter a possibilidade de comprar por metade do preço foi como uma dádiva dos céus. Também poderemos discutir outro dia se toda esta “bondade” não será paga mais tarde. 

Contudo, muitas perguntas continuam sem resposta. Por exemplo, quem vai suportar o prejuízo dos 11 milhões de euros respeitantes aos 50% do desconto, se o Pingo Doce ou os produtores? Ou se vai haver mesmo uma condenação, se for provado (e parece que já ninguém terá dúvidas sobre isso), que muitos dos produtos foram vendidos abaixo do preço de custo, o que é crime. 

Portanto, das duas, uma. Ou os produtos foram vendidos abaixo do custo ou as margens de lucro não são compatíveis com as declarações fiscais apresentadas. Facto que parece não ter incomodado o Ministro da Economia que disse compreender a situação que, de resto, é comum noutros países. Pois é, Álvaro, mas estamos em Portugal e, aqui, a lei da concorrência estabelece que isso é ilegal.