terça-feira, março 05, 2013

APRE! sem-vergonha tem limites


 
Vai ser hoje apresentado em Lisboa o "Movimento dos Reformados Indignados - (MRI)" que se propõe "tomar posição face à situação de profunda crise social vivida pelo país e aos ataques que o Governo está a fazer aos reformados". O MRI está, também, "contra a famigerada taxa CES (Contribuição Extraordinária de Solidariedade), que constitui um instrumento de espoliação dos reformados e pensionistas". Mais, o movimento adianta, ainda, que "os ataques que estão a ser feitos aos reformados bancários, retiram-lhes diariamente os instrumentos sociais de sobrevivência, fustigando-os com taxas e impostos incomportáveis para a classe".

Até aqui tudo bem. É mais um movimento de defesa dos reformados (grupo que vai crescendo velozmente) a juntar-se ao APRe - Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados, que já vai fazendo o seu caminho.

Porém, fiquei extremamente chocado quando li que o MRI vai ser presidido pelo ex-presidente do Banco Comercial Português (BCP), Filipe Pinhal, em conjunto com o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários.

Qualquer reformado, bancário ou não, tem bastas razões para se sentir revoltado com os cortes que está a sofrer mas, Filipe Pinhal não é um reformado qualquer. Foi afastado do BCP depois do escândalo das "offshores" do próprio banco (foi condenado e está a ser julgado o recurso) e, ao que se sabe, recebe uma reforma milionária.

Filipe Pinhal pode até sentir-se indignado por ter sofrido cortes na sua reforma, mas aconselharia o bom-senso que, atendendo ao seu passado e à pensão privilegiada que aufere, o melhor teria sido ficar calado. É que há reformados e ... reformados.

APRE! foi o que me apeteceu exclamar. APRE como expressão designativa de espanto, irritação, impaciência ou repulsa e não o da sigla da Associação de Reformados, que essa termina com "e" pequeno.