quarta-feira, setembro 24, 2008

Não Percisa


Poderia ficar horas a fio a olhar para o cartaz abaixo, com deleite e estupefacção. Contudo, “perciso” dizer que acabo por não ter a certeza se tantos erros correspondem, efectivamente, a uma infinita ignorância, como parece à primeira vista.

É que publicitar que numa festa de “anivercario”, os “anevercariantes” não pagam e só os “combidados” é que têm que entrar com o pilim, pode muito bem tratar-se de uma acção de marketing bem imaginada.

E nisto das estratégias publicitárias, mesmo tratando-se da venda de “samdes” de “fianbre” não nos podemos fiar. Ainda que o anúncio seja verdadeiramente
expressivo.

E a desconfiança surge sempre que nos lembramos de um cartaz há anos exibido numa estrada a caminho da Ericeira:

“Vende-se pão com chouriço e sem”.

A frase mal construída acabou por ser, depois de detectado o erro, uma engraçada imagem de marca.




segunda-feira, setembro 22, 2008

Nobreza



A história conta-se em poucas palavras. Um homem, militar de carreira, chegou um dia a Presidente da República.
Ainda nestas funções viu ser aprovada uma lei que ele promulgou sem reservas (podendo não o ter feito) e que impedia que os PR’s pudessem acumular as reformas de Presidente com outras reformas do Estado. Na prática, ele assinou a sua própria sentença. Sabia que só poderia vir a ter a reforma de Presidente da República ou a de General do Exército.

Mais tarde, o general recorreu à justiça e, muitos anos depois, os tribunais decidiram que ele poderia ter as duas reformas. Em Julho último começou a receber a reforma de general (que lhe tinha sido negada pela lei anterior) a que junta a reforma de Presidente da República.

Só que os tribunais determinaram também que Eanes tinha ainda direito a receber 1 milhão e 300 mil euros de rectroactivos pela reforma de general não auferida. Era-lhe devido todo esse dinheiro – e é muito dinheiro - mas ele recusou receber esse montante.

Pura parvoíce, dirão alguns. Não acho. Para mim, com esta atitude, que a maioria das pessoas não assumiria, Ramalho Eanes demonstrou, de forma inequívoca, a sua integridade que preza acima de tudo, e mostrou que continua fiel aos princípios e aos valores que sempre lhe reconhecemos.


Mas para quem já não se recorda, lembremos ainda, que no ano 2000, foi oferecido a Eanes a promoção a marechal. A mesma distinção que ele, enquanto Presidente, propusera aos seus antecessores em Belém, António Spínola e Costa Gomes. Só passado um ano se soube que Ramalho Eanes recusou ser marechal por que “dessa promoção não resultaria qualquer mais-valia para o país ou para as Forças Armadas.


Enquanto que muitos, sem quaisquer escrúpulos, se desunham para obter títulos e notoriedade, Ramalho Eanes é a imagem da honradez e da nobreza.



domingo, setembro 21, 2008

Tesos mas ... de barriga cheia

Escreveu Daniel Amaral

“Se as famílias portuguesas fossem pessoas sensatas, teriam adaptado os seus gastos aos rendimentos de que dispunham e hoje enfrentariam os mesmíssimos problemas à excepção de um deles: o individamento. Mas não. Reza a história que sempre gastaram o que tinham e o que não tinham e hoje estão a pagar por isso...”


Então, e agora escrevo eu, se as famílias tivessem sido um bocadinho menos gastadoras e hoje estivessem a enfrentar exactamente os mesmos problemas, para quê, afinal, tanto esforço feito? Apenas para ficar menos individadas? E as viagens que fizeram, e o carro que trocaram, e as roupas que compraram e os belíssimos restaurantes onde jantaram, isso não conta?

Resumindo, teriam prescindido de todos esses prazeres mas ficariam com (quase) os mesmos problemas.

Assim, é verdade que estão individados mas ... “de barriga cheia”.


quinta-feira, setembro 18, 2008

A verdadeira igualdade de oportunidades

Muito se tem dito e redito sobre a imensa distância que vai das palavras dos que prometem, às acções que, de facto, são levadas à prática. E se todos os políticos prometem que a verdadeira igualdade de oportunidades é um direito de todos, a verdade é que, no dia-a-dia, isso não acontece e, muitas vezes, existem discriminações gritantes nada compreensíveis.

Por isso, achei interessante que o guia turístico lançado recentemente pela Câmara Municipal de Mangualde publicite, em pé de igualdade, os pontos de maior interesse turístico da região, dando destaque à sua gastronomia e indicando as unidades hoteleiras, os restaurantes e ... as três casas de alterne existentes no concelho, repectivamente em Fagilde, Mangualde e Oliveira de Frades.

Democracia é também o direito de oportunidades iguais para todos. Mesmo para as casas de alterne. Goste-se ou não, critique-se ou não.


quarta-feira, setembro 17, 2008

Disciplina precisa-se


Quem esteve na tropa antes do 25 de Abril sabe bem do terror que se entranhava na pele só de se ouvir falar em RDM – Regulamento de Disciplina Militar. Ele era (e não sei se ainda é) um regulamento tão rigoroso que, em nome da disciplina, tudo proibia desde que não autorizado pelas respectivas hierarquias. Os que viveram esse tempo “sabem bem do que é que eu estou a falar”, como diria o Octávio Machado.

Para os mais novos e também para aqueles que já tem razões de queixa da sua memória, conto uma situação (a mais simples que me lembro) que dá uma ideia de como era viver sob a espada de um regulamento feroz que podia, a qualquer momento, cair em cima das nossas cabeças:

Uma noite jantava com outros camaradas num restaurante completamente cheio. Chegou um grupo de oficiais superiores e como não havia mesa e nós éramos os únicos militares fardados, fomos obrigados a ceder os nossos lugares para que eles se sentassem e pudessem jantar. Não tivemos outra alternativa que não fosse pagar e sair. O RDM era bem claro quanto aos direitos de quem tinha maior patente e aos deveres de quem estava abaixo deles.

Mas isso passou-se em 1971, no século passado e em plena ditadura. Numa época em que se confundia autoridade com autoritarismo e disciplina com
despotismo.


Pois 37 anos passados, os jornais dos últimos dias noticiaram que o Director Nacional da Polícia de Segurança Pública, o superintendente-chefe Oliveira Pereira, vai apresentar um projecto de um novo regulamento de continências e honras na PSP, ao estilo do mal-amado RDM.

Por exemplo, prevê o tal projecto que
“os polícias não possam fumar, mascar pastilhas elásticas, nem falar ao telemóvel diante de superiores, sem deles obterem prévia autorização”.

Ingénuo como sou, pensava eu que, perante a vaga de criminalidade que nos tem afligido, os dirigentes da PSP estariam muito mais preocupados em conseguir melhores níveis de desempenho. Dizendo de outra forma, que deveriam querer mais polícias e polícias melhor armados e preparados para enfrentar os bandidos.

Mas não. Pelo menos o senhor Director Nacional parece estar muito mais atento aos aspectos comportamentais dos seus subordinados. Por isso entende que a melhor maneira de ter uma polícia competente passa por exigir o cumprimento de umas continências feitas a preceito e a proibição de mastigar umas pastilhas elásticas em frente dos seus superiores sem a necessária autorização.

Com tanta disciplina desta o povo sentir-se-á, sem dúvida, muito mais protegido.

O mundo está a desabar

Os piores receios confirmam-se e o mundo parece mesmo estar a desabar.

Depois de todas as crises que se abateram sobre nós, só faltava a notícia que faliu o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, o Lehman Brothers, e que a maior seguradora mundial (para alguns a maior dos Estados Unidos e a terceira mundial), a American International Group (AIG) irá, provavelmente, anunciar a falência nos próximos dias.

Os mais distraídos destas coisas da economia poderão pensar que as falências destas empresas apenas devem preocupar os americanos em geral e os seus investidores em particular.

Nada de mais errado. O descalabro a que chegaram estes dois potentados da finança vai provocar, inevitavelmente, graves consequências na economia mundial e, em Portugal, a falência da AIG deverá originar um impacto ainda maior do que o colapso do Banco, uma vez que, para além de diversos investidores institucionais portugueses, a seguradora emprega no nosso país 90 pessoas e tem mais de 40 mil apólices em vigor.

Apesar da queda do preço do petróleo nos mercados internacionais e do Banco Central Europeu ter já anunciado que vai injectar 70 mil milhões de euros no mercado monetário da Zona Euro para aliviar as tensões provocadas pela crise financeira nos Estados Unidos, o futuro próximo parece não ser brilhante. Tanto mais que se adivinha que, por efeito dominó (ou talvez não), venham a caminho as falências dos Bancos (também americanos) Bear Stearns, Northern Rock e Indymac. Para já.

Nunca como agora me pareceu tanto que o badalado estilo americano de vida, o conhecido “American way of life, mais não é do que uma expressão que significa “o mundo vai desabar”.



segunda-feira, setembro 15, 2008

Ainda à volta da Volta a Portugal em bicicleta

Ao reler o texto que aqui foi publicado às primeiras horas de hoje, não pude deixar de pensar na forma entusiástica como "vivia" o ciclismo na minha juventude, enquanto que agora vejo apenas uma modalidade que me deixa um tanto ou quanto indiferente. Mas a verdade é que as minhas preferências foram-se alterando significativamente ao longo dos anos.

No entanto, e apesar de os meus gostos actuais não estarem em verdadeira sintonia com as provas velocipédicas, não gostaria de terminar esta matéria, sem vos contar quatro pequenas curiosidades acontecidas noutras “Voltas”

- A primeira Volta a Portugal realizou-se em 1927 e tinha duas categorias: a dos “Fortes” e a dos ... “Fracos”;

- Entre 1928 e 1935, João Gomes correu pelo Benfica, sempre sem qualquer remuneração. Um notável espírito de “Fair-Play” e amor à camisola. Venceu várias etapas nas Voltas;

- Segundo consta, na Volta de 1951, um dos maiores ciclistas de sempre, Ribeiro da Silva, devido ao calor, parou numa venda para beber uma cerveja fresca. Como não tinha dinheiro, teve que esperar por um carro de apoio para pagar a dívida;

- Em 1984, Venceslau Fernandes – o pai de Vanessa Fernandes – ganhou a Volta com 39 anos de idade.



Enfim, outros tempos e outras Voltas!



A Volta a Portugal em bicicleta

Desde os meus tempos de menino que não via, ao vivo, uma etapa da Volta a Portugal em bicicleta. Este ano, tive a oportunidade de assistir ao prólogo da 70º. Volta, um contra-relógio individual de sete quilómetros.

O espectáculo em si, quero dizer, o estar a olhar para uns mancebos que sentados em cima das bicicletas se esfalfam que nem uns danados para obter um melhor tempo que os demais, não é particularmente excitante mas, tenho que admitir, que o colorido dos equipamentos, das bandeiras e dos carros de apoio acabam por transmitir uma certa alegria a quem, mesmo debaixo de um sol quentíssimo, assiste ao esforço tremendo daqueles herois do asfalto.

Mas, para além das cores, há todo aquele movimento e barulho que incomoda toda a gente e que, presumo, deixará à beira de um ataque de nervos quem tanto se esforça para manter e aumentar o ritmo da pedalada.

Primeiro vem o motociclista da brigada de trânsito a abrir caminho, com luzes e sirenes que não páram de tocar. Depois vem o pobre do ciclista e, logo colado a ele, segue um carro de apoio que entre buzinadelas constantes, debita através da instalação sonora do próprio carro, gritos de incitamento ao corredor

“venga, venga, venga, venga, António ... “, no caso das equipas espanholas ou

“bora, bora, bora, bora, campeão, mexe essas pernas, bora, bora, bora ...”, na versão portuguesa,

ou outras frases de pretenso estímulo, tudo muito gritado, chegando alguns, para além de todo este ruído, a “socar” furiosamente as portas dos carros, na tentativa de empolgar os pobres moços, muitos deles demasiado enfezados para tamanho esforço.

Um verdadeiro inferno para quem assiste mas, sobretudo, para os corajosos corredores que se vêm totalmente esmagados entre o batedor e o carro de apoio, ambos apostados a furar os tímpanos dos coitados com tantos gritos e barulhos de sirenes e de buzinas.

Paralelamente existe um outro espectáculo a que poucos conseguem resistir. O de enormes autocarros das empresas patrocinadoras da Volta que distribuem a multidões sôfregas, enlouquecidas e desesperadas, todo o seu “merchandisind” de camisetas, bonés e abanicos para o calor, tudo com o logótipo e o nome da empresa, para que o pobre “portuga”, que tanto aprecia o que é de borla, ande feliz da vida a fazer publicidade a troco de coisa nenhuma. Ainda por cima satisfeitos, não por se tornarem verdadeiros veículos publicitários, mas por que conseguiram obter – depois de inúmeros encontrões e pisadelas – uma ou duas T-Shirts e bonés.

Ainda existe um outro espectáculo que, a mim em particular, me dá um gozo dos diabos, e que é o de ouvir uma série de peritos destas coisas das bicicletas, que tudo conhecem sobre a modalidade e sobre os corredores. Não resistem mesmo a opinar sobre se eles estão, ou não, a dosear convenientemente o esforço ou sobre se deviam, ou não, já ter metido uma nova mudança que desse mais força ao andamento.

Verdadeiros “experts”, digo-vos eu, que não se cansam de comentar todos os aspectos relativos à Volta, o traçado do circuito, as potencialidades dos corredores, a actuação dos batedores das polícias e mais umas dúzias de considerações pitorescas e sem interesse, tudo proferido com o ar mais sério de profundos conhecedores da matéria. Onde nem sequer faltam aqueles “tugas”, normalmente emigrantes em “vacances” que, quando os corredores passam junto a eles, batucam loucamente nas vedações de segurança ao mesmo tempo que gritam “Vite, vite, vite, allez, allez ...” e se viram imediatamente para trás para concluir “A ver se os gajos mexem aquele cu!”

Espectáculos únicos a não perder.

quinta-feira, setembro 11, 2008

Empenho

Quando escrevi há umas semanas que a diplomacia económica levada a cabo pelo primeiro-ministro José Sócrates na Venezuela, Angola e Síria constituíam esforços notáveis de criação de novos espaços que pudessem vir a substituir os nossos mercados tradicionais de exportação, ainda não se conheciam as mais recentes iniciativas do governo.

E elas vieram a público logo no início de Agosto quando foi anunciado o lançamento oficial do “nosso” computador portátil para crianças do primeiro ciclo que dá pelo nome de “Magalhães” e que se destina, igualmente, à exportação. Ontem, foi a vez do anúncio de 120 novos projectos para a região do Oeste, no montante de dois mil milhões de euros e, hoje, foi aprovado em Conselho de Ministros o protocolo com a brasileira Embraer para a instalação de duas unidades industriais em Évora para a produção de peças para aviões, um contrato de 170 milhões de euros que vai criar uma pipa de postos de trabalho na região.


Pode-se discordar das políticas de Sócrates em várias matérias mas, caramba, temos que reconhecer que o homem se tem empenhado!

quarta-feira, setembro 10, 2008

Sagacidade

Mais de um milhão e meio de alunos regressaram hoje à escola. E, como é hábito nestas alturas, os miúdos foram bombardeados com as perguntas do costume, nomeadamente:

“Então e o que é que queres ser quando fores grande?”

Pois um deles, fugindo aos sonhos rotineiros de quererem ser médicos, jogadores de futebol ou bombeiros, disse com o ar mais cândido do mundo:

“Quero aprender”

“Sim, mas o que gostavas de ser um dia? Queres aprender para quê?”, insistiu o jornalista.

Ao que o garoto respondeu com toda a simplicidade:

“p’ra ser esperto”.

Espanha, um problema

O economista Daniel Bessa publicou no Expresso do dia 2 de Agosto, uma crónica com o título acima indicado que dizia o seguinte:

“... engana-se quem pensar que a recessão da economia espanhola é uma recessão como as outras: resultado do subprime, da situação de dificuldade em que se encontra o sistema financeiro à escala global, do aumento das taxas de juro, da recessão das economias americana e europeia no seu conjunto. Sofrendo os efeitos de tudo isto, a recessão da economia espanhola é muito mais.
É o resultado de uma orientação errada de toda a política económica ao longo da última década. Salários, custos e preços demasiado elevados ...
... Quando as economias americana e europeia começarem a recuperar, a Espanha manter-se-á em recessão”.


Para quem, e são muitos, andam há anos a louvar as magníficas políticas macro-económicas de “nuestros hermanos”, não podemos de deixar ficar boquiabertos perante uma situação que parece configurar aquela máxima “a montanha pariu um rato”. Mesmo que o nível de vida dos nossos vizinhos continue a ser muito superior ao nosso.


segunda-feira, setembro 08, 2008

Cavalheirismo



Depois de dois “posts” seguidos sobre violência é tempo de falarmos de assuntos mais agradáveis.

E a crónica de hoje tem a ver com pessoas que - num tempo em que os verdadeiros valores andam um tanto esquecidos - ainda são capazes de saber assumir as suas responsabilidades e de mostrar atitudes nobres e dignas.

Claro que a história que agora vos conto não é nada comum. Até por que, por maior que seja a consciência das pessoas, só a existência de um "milagre" podia permitir um desfecho tão feliz como o que se veio a verificar.
Mesmo considerando que o protagonista é uma pessoa especial, o final, ainda assim, poderia ter sido bem diferente.


Pois o que aconteceu foi que o famosíssimo actor George Clooney esteve envolvido num acidente rodoviário numa pequena cidade de Itália. E, por que foi ele o causador do sinistro, decidiu não se esconder atrás da sua celebridade e reconheceu imediatamente que era o culpado.

Só isso? Não! No dia seguinte quando a proprietária do veículo acidentado chegou à garagem, encontrou um carro novinho em folha, no valor de 17 640 euros, e um bilhete que dizia:

“Sinto muito. Espero que algum dia me perdoe. George Clooney”


Tanto cavalheirismo parece saído de um filme, não acham?



domingo, setembro 07, 2008

Violência doméstica

O assunto é recorrente e, periodicamente, a imprensa e as instituições não-governamentais dão conta de novas estatísticas actualizadas e, infelizmente, com números superiores às anteriores.

Em 2007, 23 mulheres foram assassinadas em Portugal e, destas, vinte morreram às mãos dos maridos, namorados e ex-companheiros. Mas outras 57 mulheres foram alvo de tentativa de homicídio, 54 por parte dos companheiros.

Desde Janeiro deste ano até 9 de Agosto último já morreram 31 mulheres de forma violenta.

De notar que vão crescendo as agressões entre os mais jovens, sobretudo na faixa etária dos 18 aos 23 anos, o que, atendendo às sucessivas campanhas de sensibilização efectuadas, é, de facto, muito preocupante.


Mas atenção, quando falamos de violência doméstica não devemos apenas contabilizar as mortes, nem pensar que as vítimas são apenas mulheres, embora elas sejam de facto, e em percentagem esmagadora, as mais agredidas. Temos igualmente que considerar os múltiplos casos de maus-tratos psíquicos, de ameaças, de coacção, de difamação e de injúrias a mulheres mas, também, a homens e, cada vez mais, a idosos.

E os números são tão significativos e preocupantes que as estatísticas mostram que, em 2007, quatro em cada dez portugueses foram vítimas de violência física, psicológica ou sexual. Isto só em casos que chegaram ao conhecimento das entidades policiais ou das instituições não-governamentais de apoio às vítimas, pelo que, decerto, muitas outras situações se deram mas que ficaram guardadas dentro de paredes.


Por isso é necessário continuar a lutar por todos os meios. Há que intensificar a informação e denunciar os agressores. Temos que erradicar da sociedade este problema grave que é universal, que “ataca” ambos os sexos, que acontece em todos os níveis sociais e que dá pelo nome de violência doméstica.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Violência

Aceito como bom o princípio que numa sociedade aberta e democrática, deveria ser obrigatório a abertura de um inquérito sempre que as forças policiais e de segurança matem. Isto por que não posso sequer imaginar que as corporações que têm por missão proteger o cidadão, se disfarcem de cowboys da pradaria e comecem a disparar ao mais leve agitar de vento ou, pior ainda, possam utilizar indiscriminadamente as suas armas a coberto da autoridade que a lei lhes confere.

Mas convenhamos, o Estado não pode deixar de actuar de forma enérgica para garantir a segurança dos cidadãos.

Portugal está a braços com uma onda de criminalidade e violência que varre todo o território. Para além dos “carjacking”, são trocas de tiros entre bandos rivais, são assaltos a ourivesarias, a caixas multibanco, a farmácias, a pastelarias, a postos de gasolina, a bancos e chegou-se já ao ponto de assaltar uma carrinha de transporte de valores em plena auto-estrada e com métodos inovadores entre nós.

Os bandos criminosos estão a mostrar audácia, eficiência, profissionalização e, na maioria dos casos, um alto grau de violência.

E a questão é esta, perante este novo quadro, como devem agir as forças de segurança? Com luvas de pelica na esperança de conseguir a detenção dos malfeitores por métodos pacíficos? Seria óptimo que isso acontecesse mas, infelizmente, as coisas não funcionam desse modo.

Para suster toda esta vaga de crimes é necessário que haja acções diversificadas de prevenção e que as nossas forças policiais e de segurança efectuem no terreno intervenções intimidatórias e musculadas.

Deixemo-nos de hipocrisias. Se é verdade que a população não se sente mais segura só porque uns atiradores especiais conseguiram abater um assaltante de um banco, se é verdade, também, que o país não se sentiria mais tranquilo se a pena de morte voltasse a ser introduzida em Portugal, resta-me pelo menos a convicção de que se as polícias agissem com determinação e com responsabilidade, os portugueses dormiriam muito mais descansados.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Ainda o discurso do Presidente Cavaco

Já passou um mês após o discurso à Nação do Presidente da República, cujo o anúncio, se bem se lembram, alimentou um dia inteiro de especulação e criou enormes expectativas nos portugueses. Esperava-se que ele falasse em cenários horríveis que estariam em risco de acontecer ou, no mínino, que viesse dizer aos seus humildes súbditos coisas que eles estivessem realmente interessados em ouvir, por serem, afinal, assuntos que mexem no dia-a-dia das pessoas.

Mas o Presidente interrompeu as suas merecidas férias para, à hora de abertura dos telejornais, enviar recados ao país, melhor dizendo, à classe política, sobre o estatuto político-administrativo dos Açores, assunto muito importante sem dúvida mas que, para a maioria dos portugueses, não significa rigorosamente nada.

Num magistral artigo de opinião de Clara Ferreira Alves, num Expresso do princípio do mês, lia-se:

“Desde que o Presidente Cavaco foi eleito ainda não lhe ouvi uma palavra de jeito. O Presidente alinhava umas palavras em forma de discurso, soletra umas solenidades de circunstância, meia dúzia de lugares-comuns de sensatez e outras tantas banalidades, junta uma pitada de preocupação e vago fervor patriótico, acrescenta umas generalidades institucionais e já está.”

E, mais à frente:

“... é mais uma cena paroquial e uma anedota de Verão. Não estava à espera que ele fosse falar sobre o mundo complexo em que vivemos e vamos viver, com a perspicácia e a inteligência de um homem de Estado. Podemos tirar o rapaz de Boliqueime mas não podemos tirar Boliqueime do rapaz, dir-se-ia com crueldade. O Presidente Cavaco é um rapaz de Boliqueime e isso não é uma coisa boa. Nem má. É o que é. Num grande país europeu como a França, a Alemanha ou a Grã-Bretanha, Cavaco seria um apêndice, nunca um órgão político.”


A verdade é que a inquietação que o anúncio do discurso que o Presidente acabou por fazer à noitinha, provocou-me durante todo o santo dia uma enorme ansiedade e desorientação. A tal ponto que conseguiu baralhar o arrumo das malas que estavam a ser preparadas para viajar no dia seguinte. E, mais do que o desinteresse que teve o tal discurso, esse tempo que me fez perder, isso eu não lhe perdoo.

terça-feira, setembro 02, 2008

Uma nova geração?

Fartos já da jactância insuportável dos Beckham e dos Cristianos Ronaldos desta vida, olhamos agora com esperança para uma nova geração de atletas que mostram uma forma de estar, no desporto e na vida, que temos visto pouco nestes últimos tempos. Apesar de serem já umas super-estrelas, são pessoas “vulgares” e humildes como a maioria das criaturas comuns.

Nelson Évora é um bom exemplo desta nova linhagem de campeões em que depositamos tanta esperança. Vanessa Fernandes é outro bom exemplo que, para além da categoria que tem evidenciado por todo o mundo, mostra uma personalidade simples que é bem expressa na frase que correu célere, logo após ter terminado o triatlo olímpico:

“Ai carago, fogo, o raio da prova já acabou”.

Mas a simplicidade, a generosidade e a solidariedade de Vanessa traduziu-se de forma bem significativa numa outra atitude que demonstra a sua sensibilidade genuína. Os 22 500 euros que lhe renderam a medalha de prata de vice-campeã olímpica do triatlo irão direitinhos, por sua vontade agora revelada, para instituições de apoio a crianças.

É ou não é legítimo confiar nesta nova geração?

segunda-feira, setembro 01, 2008

Promessas – 8 Medalhas – 2

Mais uma vez, desta nos Jogos Olímpicos, mas que acontece, igualmente, nos Campeonatos Europeus e Mundiais de qualquer modalidade em que participemos, muitas das esperanças ficaram-se apenas por isso mesmo. “Muita parra e pouca uva”, como dizem no Algarve.

Recordo para quem já esqueceu, ou prefere não se lembrar, que nas semanas que antecederam o início dos Jogos de Pequim, os jornalistas, os comentadores encartados e os coitados dos próprios atletas, juraram a pés juntos que desta vez é que era, que choveriam medalhas até fartar, que nunca o Estado tinha dado tantas condições como agora, que a forma de cada um nunca tinha sido tão boa e que, finalmente, tínhamos todas as condições para ganhar mais medalhas que os nossos vizinhos espanhois e, quem sabe, que os próprios chineses.

Parole, parole, parole ...

Só que as provas foram-se sucedendo e acabámos por ver cair uns quantos (poucos) recordes nacionais e, quanto a medalhas, apenas duas. Perante a desilusão provocada por resultados mais modestos do que os esperados – embora agora digam que esta foi a nossa melhor participação de sempre - a “chama olímpica do sonho” feneceu e ficámos a pensar no nosso triste fado e na má sorte que sempre nos acompanha nestas andanças.

Mas o que mais me incomoda no meio de tudo isto, e acreditem que é a pura verdade, é a sempre presente necessidade que sobressai em muitos, principalmente nos jornalistas, de criar à força as maiores expectativas quanto a possíveis vitórias, antes mesmo das provas começarem. Aliás, foi frequente ouvirem-se entrevistas a “olímpicos” que, depois da segunda ou terceira questão, lá tinham que responder à pergunta sacramental “e, quanto a medalhas?”. Seria muito mais fácil, e honesto, darem-nos conta tão-somente da evolução dos desportistas e dos seus sucessos e insucessos. Sem pressões excessivas nem falsas fantasias que, por norma, se têm mostrado completamente desajustados. Acredito que seria muito melhor para os próprios atletas e para os portugueses em geral.

E, se bem me lembro, foi assim que aconteceu quando Carlos Lopes e Rosa Mota foram campeões olímpicos.

Porém, o que mais me revolta é que, agora que se encerraram os Jogos de Pequim, aqueles mesmos que nos prometeram que viríamos da China a abarrotar de medalhas, virem apontar o dedo ao Estado por ter gasto 15 milhões de euros dos contribuintes na preparação de toda a nossa campanha.

Que grande hipocrisia! Como se um país, pequeno como o nosso e com todas as dificuldades que conhecemos, não tivesse, ainda assim, a obrigação de manter uma elite de atletas de alta competição. É que o tempo do “orgulhosamente sós” já lá vai.

Por isso, seria bom lembrarmo-nos que neste tipo de competições internacionais, os nossos atletas estão presentes por mérito próprio, isto é, atingiram os mínimos exigiveis para estarem lá (já são campeões só por esse facto) e estão a concorrer com a nata dos atletas mundiais. E, já agora, lembrar que muitos desses atletas estrangeiros são efectivamente melhores do que os nossos, o que não quer dizer que não possamos ser-lhes superiores em determinados momentos. Temos bastos exemplos disso.

Seria prudente, portanto, que a humildade e a seriedade norteassem as nossas ambições e que tivessemos consciência que os prémios acabarão por aparecer se, e quando, formos melhores que os outros e não antes.

domingo, agosto 31, 2008

Hoje é dia de festa

Já tinha saudades vossas. E, digo-vos com toda a sinceridade, é com grande prazer que volto a este nosso espaço e, ainda por cima, no dia em que se dá início ao 4º. ano de actividade.

Mentiria se afirmasse que não é óptimo estar de férias. Na verdade, é sempre muito bom fazer uma pausa e, se possível, mudar de ares e de culturas e, se mais possível ainda, longe, bem longe do nosso poiso habitual.

No entanto, não consegui, até agora, atinjir um tal estado de perfeição que me deixe completamente desligado do que se passa no mundo no dia-a-dia. Na verdade, e sempre que em território nacional, tento estar actualizado. Vejo telejornais, não dispenso o telemóvel, o relógio e a compra de, pelo menos, um semanário.

Foi desta forma que, durante a minha ausência, mesmo ocorrida durante um mês em que nunca existem novidades de monta, para além do calor, dos fogos, dos assaltos e de mais meia dúzia de coisas corriqueiras, fui tirando pequenas notas que me despertaram a atenção e sobre as quais escrevinhei alguns comentários que serão publicados nos próximos tempos.

Hoje, porém, é dia de festa. O “Por Linhas Tortas” começa o seu quarto ano.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Férias

Se estavam à espera de um comentário sobre o discurso do senhor Presidente da República que, ontem, deixou o país preocupado e a cochichar durante todo o dia, ou sobre a nova maravilha tecnológica lusitana que dá pelo nome de "Magalhães", esqueçam.
Hoje, venho só dizer-vos que é hora de fazer uma pausa. Vou de férias e regressarei, em princípio, no próximo dia 31 de Agosto (data em que celebraremos o 4º aniversário do “Por Linhas Tortas”), pronto para recomeçar os trabalhos, espero que na vossa prezada companhia.

Façam o favor de ser felizes.


Até lá.

quarta-feira, julho 30, 2008

Justiça injusta

Pode parecer estranho mas a verdade é que em muitos concursos que vemos na televisão, as perguntas podem ter várias respostas certas.

Pelo menos foi o que aconteceu em Fevereiro de 2000, no concurso “Quem quer ser milionário?”, na altura apresentado por Carlos Cruz. Jogava-se, então, para 7,5 milhões de escudos.

Pergunta: "Qual destas personagens de banda desenhada foi mais vezes recriada pelo cinema? a) Zorro b) Super-Homem c) Tarzan d) Batman"?

Resposta do concorrente: Tarzan.

Resultado: O computador considerou como certa a alínea a) Zorro e o concorrente foi eliminado.

Nada satisfeito por ser afastado, tanto mais que tinha a certeza que a sua resposta estava correcta, o concorrente contactou a produção do programa, que lhe enviou uma cópia do livro que usou como fonte, onde era indicava como certa a resposta Zorro.

Depois de consultar vários livros, a Cinemateca e o Guinness Book of Film (considerado uma das maiores fontes de conhecimento sobre cinema no mundo) o concorrente chegou à conclusão que Tarzan foi recriado em 83 filmes e Zorro apenas em 65.

Processou, então, a RTP e a produtora do concurso. Depois de vários recursos que se arrastaram no tempo, o Supremo Tribunal de Justiça decidiu, agora, que o concorrente não tinha razão. Explicando melhor, embora ele tivesse dado uma resposta certa, foi bem eliminado porque:

- Há elementos que confirmam ambas as respostas, e
- o concorrente assinou uma declaração "renunciando a qualquer recurso sobre a matéria"

Perante tão “justo” acordão, fica-se a pensar porque é que, afinal, o concorrente foi afastado se ele até tinha dado a resposta correcta. Não se entende que o Supremo alegue que havia uma outra resposta certa, porque isso, não invalida a correcção da resposta dada pelo concorrente.

Quanto a mim, a única coisa que o condenou realmente, e desde o início, foi o facto de ele ter assinado - antes da participação no concurso - a malfadada declaração. Tanto mais que, nesse momento, lhe era completamente impossível imaginar que poderia haver duas respostas certas e, apenas uma, seria a preferida da RTP.

Aliás, a possibilidade de haver mais de que uma resposta certa nas diversas perguntas e a existência da uma declaração em que os concorrentes se comprometem a renunciar a qualquer recurso, deixa em aberto a possibilidade dos promotores dos concursos não virem a pagar qualquer prémio.

Quanto ao caso em questão, sem haver mais lugar para recursos, o concorrente só se pode queixar de uma “justiça injusta” que, ainda por cima, o obrigou a pagar as custas judiciais.

terça-feira, julho 29, 2008

De bom a besta!

A história repete-se e já quase não nos espanta. De qualquer forma não se consegue ficar indiferente sempre que se ouve dizer que alguém é considerado o melhor numa determinada área e, pouco tempo depois, passa à condição de mais ínfimo e desprezível ser humano, a quem todos dirigem os maiores impropérios.

Desta vez aconteceu a Freitas do Amaral, renomado professor de direito e jurisconsulto prestigiado e reconhecido. Quando a Federação Portuguesa de Futebol lhe pediu um parecer sobre aquele propalado imbróglio da reunião do Conselho de Disciplina, todas as partes afirmaram a pés juntos que respeitariam o seu juízo, uma vez que a sua credibilidade e independência estavam acima de qualquer suspeita. Saído, agora, o resultado, logo apareceram opiniões contrárias.

Não pretendo fazer juízos de valor sobre o que aconteceu antes, durante e depois da tal reunião. O que veio na comunicação social foi suficientemente claro. Por isso, quero apenas sublinhar que ao ser pedido um parecer a um independente da craveira de Freitas do Amaral não se poderiam esperar outras coisas que não fossem isenção, competência e opiniões claras baseadas em argumentos jurídicos irrefutáveis e, como sempre acontece nos seus pareceres, com uma linguagem compreensível para qualquer mortal.

Mas não foi este o entendimento da SAD do Porto. Para aquele órgão, o parecer do professor não passa de uma mera "consulta", considerando que Freitas do Amaral “comete o pecado mortal de atribuir toda a razão a apenas um dos lados, em vez de encontrar uma solução equilibrada e justa".

Ou seja, para a SAD do Porto, o parecer de Freitas do Amaral peca por excesso de clareza. De forma “imperdoável”, ele disse simplesmente que o preto era preto e o branco era branco. Não fintou, não dissertou sem nada dizer, não usou de subterfúgios, evasivas e meias-tintas, tão comuns na nossa sociedade e onde nunca existem culpados. Numa palavra, Freitas do Amaral, chamou os bois pelos nomes e não deu razão ao presidente do Porto e à SAD do Boavista.

Pode ser que este seja um primeiro passo. Um primeiro safanão neste “mundo” imundo do futebol onde as jogadas, os truques, as aldrabices, os compadrios e os silêncios se encontram instalados há décadas. Pode ser que esta “mera consulta” de uma pessoa isenta, competente e honesta faça cair toda a estrutura podre que tem dirigido a modalidade mais popular do universo. Vamos esperar!

segunda-feira, julho 28, 2008

O país que não merece ser desenvolvido

Num dos últimos “Prós e Contras” do canal público de televisão, um professor universitário de filosofia, belga de nascimento mas a viver em Portugal há anos, afirmava que os seus alunos mais brilhantes quando ensinava na Universidade de Louvain eram portugueses. E dizia mais, a inteligência desses alunos era superior à média dos restantes discípulos.

Curiosamente, João César das Neves, escreveu, com a ironia que o caracteriza, um texto que aponta nesse mesmo sentido e que nos faz questionar:

“afinal por que é que país não melhora se temos pessoas realmente capazes?”

Não resisto a trancrever essa saborosa crónica. O texto é um pouco extenso mas vale bem a pena lê-lo.

“PORTUGAL FEZ TUDO ERRADO, MAS CORREU TUDO BEM.

Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento português. Havia até agora, no mundo, países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam. Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano.

Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Aliás, tem mesmo um só elemento: Portugal.

A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinha também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.

Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido - O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses".

Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos.

Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período.

Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável. Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.

Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das maisimpressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassadapor um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional.

Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual. Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria.

O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.

Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tempiorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quandocomparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhantes às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante.

É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, ocrescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde oinício. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências eincapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma: Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento.
Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade. Citando as próprias palavras do texto: "Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento?". A resposta, simples, é que ninguém sabe.

Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por maucaminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho. A única explicação adiantada pelo texto, mas que não ésatisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e "desenrascanço" do povo português. No meio de condições que, para qualqueroutra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável”.

O texto termina dizendo: "O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".

domingo, julho 27, 2008

A nova CPLP


Como sabem, a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – é uma organização formada por oito países lusófonos – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Nos seus estatutos existe uma regra fundamental que tem que ser escrupulosamente respeitada, que é, “qualquer país que faça parte desta comunidade tem que ter o Português como língua oficial”.


A questão de princípio é, naturalmente, a da assunção oficial da língua portuguesa, muito embora, em alguns dos países aderentes, uma boa parte da população não a domine mininamente. Mas isso é uma outra questão.


A discussão centra-se, portanto, num outro domínio, que não o da língua. É que, para além do “clube dos oito”, existem outros três países – a Guiné-Equatorial, as Ilhas Maurícias e o Senegal que também fazem parte da organização com o estatuto de “Observadores Associados” e estão à espera que lhes reconheçam a entrada como membros de pleno direito da CPLP . Para além destes, mostraram igualmente interesse em integrar a equipa e estão já em lista de espera, Marrocos, Uruguai, Ucrânia, Croácia, a província espanhola da Galiza e o território de Macau, estando estes dois últimos dependentes da aprovação dos respectivos países.


Acredito que todos eles estão na corrida para entrar nesta organização que parece estar na moda. E espero – sinceramente - que adoptem o português como língua oficial e que venham a fazer parte de uma associação que tem como lema “A Língua Portuguesa: Um Património Comum, Um Futuro Global".


Mas, o que na minha opinião, parece transparecer desta vontade transbordante, é o desejo de pertencer a um grupo de muitos milhões de almas, que poderá vir a ter uma significativa projeccão internacional e, não menos importante, fazer parte de uma organização que, tendo embora a língua como estandarte, poderá catapultar os interesses económicos e políticos de cada país a um patamar de outra forma inacessível.


A ser assim, o espírito e o âmbito original da CPLP ter-se-á desvirtuado, o que, também não é caso para nos deixar preocupados. Afinal, em vez de promover apenas a amizade e a cooperação entre os países lusófonos, passará a fazê-lo, também, com os outros parceiros e com novas vertentes, nomeadamente a económica. Ao fim e ao cabo, com as sinergias e a dimensão encontradas poder-se-ão vir a alcançar excelentes resultados para todos. O tempo o dirá.



quinta-feira, julho 24, 2008

Os passatempos dos chefes de cozinha



Quem não ouviu já a velha história do arrumador de cinema que, nas suas folgas, vai ver o filme que é exibido na sala onde trabalha?

E o que farão os chamados “chefes de cozinha” nos seus tempos de ócio? Será que também se refugiam nos seus locais de trabalho, isto é, nas suas cozinhas?

Devo dizer que, neste momento, estou a pensar, não nos inúmeros cozinheiros espalhados pelas mais recônditas cozinhas dos hoteis e restaurantes deste país, mas apenas naqueles chefes da “Gran Cuisine”, os que imaginam e executam a denominada cozinha de autor.

Pois aqueles artistas, quando não estão a confeccionar todos aqueles maravilhosos pratos que tanto nos encantam pelo paladar e pela decoração, divertem-se, muitas vezes, a exercitar-se em pequenas obras primas – comestíveis, também – preparadas com vegetais e frutos.

Oram vejam




































Assistencialismo

O artigo que o DN publicou no passado sábado, da autoria de João Miranda, traduz, de alguma forma, a maneira de pensar de algumas franjas da sociedade. Entre outras coisas, o jornalista questiona aspectos que merecem a nossa reflexão, nomeadamente o da “profissionalização” dos necessitados que, assim, não têm que se preocupar com a angariação dos produtos mais básicos à sua subsistência.

Já aqui tenho manifestado a minha admiração pelo papel, dedicado e generoso, levado a cabo pelas instituições de solidariedade social nas acções que visam o combate à pobreza e o apoio aos mais carenciados. Contudo, parecem-me legítimas algumas das dúvidas levantadas por João Miranda, pelo que vos convido a ler uma parte da crónica:

“A pobreza em Portugal é persistente. A oposição defende mais apoio aos pobres. O Governo toma medidinhas. Mas há uma pergunta que fica sempre por responder. Porque é que ainda existe pobreza? Antes de se tomarem novas medidas de combate à pobreza, talvez valha a pena descobrir porque é que os inúmeros mecanismos de combate à pobreza que já existem não estão a produzir resultados. Se os pobres já têm direito a habitação social, educação gratuita, saúde gratuita e rendimento mínimo garantido, porque é que ainda são necessários mais mecanismos de combate à pobreza?
Os mecanismos de combate à pobreza são eles próprios mecanismos de empobrecimento da sociedade. Por regra, não produzem riqueza. São mecanismos que se limitam a transferir riqueza produzida pelos membros mais produtivos da sociedade para os membros menos produtivos. Os pobres ficam com os seus problemas de curto prazo resolvidos, mas não adquirem os hábitos de trabalho nem os conhecimentos necessários para produzir riqueza. Os pobres não passam a produzir riqueza. Ficam cada vez mais dependentes do Estado.
Os mecanismos de combate à pobreza deviam ser mecanismos de emergência, mas não são. São direitos permanentes que funcionam como um desincentivo à criação de riqueza. Quem tem as suas necessidades económicas básicas satisfeitas, não precisa de estabelecer relações económicas responsáveis com os seus pares nem precisa de desenvolver uma actividade económica permanente...”

Como repetidamente tenho afirmado, é perigoso fazerem-se generalizações. Se é verdade que, por vezes, são detectadas situações fraudulentas cometidas por quem se diz carenciado, não é menos verdade que existem reais situações de pobreza e necessidade a que o Estado tem obrigação de acorrer.

Estou a falar-vos, por exemplo, dos idosos com pensões muito baixas, dos que têm problemas de droga ou outras doenças, de situações de desemprego prolongado, de famílias monoparentais e destruturadas, de imigrantes com empregos precários.


De qualquer forma, e com excepção dos casos perfeitamente justificados, tem que haver uma preocupação generalizada. A de que todas as ajudas deverão constituir uma resposta necessária mas ... provisória.



terça-feira, julho 22, 2008

Águas agitadas

O PSD, embora com uma nova Direcção saída das recentes “directas”, continua nervoso. Pensava-se que, depois da eleição de Manuela Ferreira Leite, o partido iria atravessar uma fase de acalmia e de união mas, passado pouco tempo, fazem-se já ouvir as vozes de quem, afinal, não está na mesma onda da sua líder.

Pedro Passos Coelho, por se considerar excluído, já anunciou a criação de um grupo de reflexão política no partido. Sinal claro de insatisfação.

Luís Filipe Menezes foi ainda mais longe, ao arrasar Ferreira Leite num artigo de opinião publicado no DN em que dizia, nomeadamente:

“não tenho dúvidas de que (eu e Pedro Santana Lopes) éramos mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores”.

Mais directo não podia ser.

Mas há um que tem andado muito sossegado – Santana Lopes. Até quando?

segunda-feira, julho 21, 2008

Como?

Acham que os portugueses podem olhar com satisfação para os boletins de pagamento, no final de cada mês, quando descobrem que uma boa parte do que ganharam foi penhorado? Não, claro que não.

E são muitos aqueles que se podem queixar desse revés. Esta semana foi divulgado que 38% dos funcionários da Câmara Municipal de Sintra têm o vencimento parcialmente penhorado. Também na Câmara Municipal de Lisboa, cerca de 700 empregados foram confrontados com idêntico problema. E quantos mais trabalhadores por esse país fora não enfrentam essa vicissitude?

Todas estas penhoras por causa de dívidas ao Estado (incumprimentos fiscais), por falta de pagamentos de créditos à habitação e ao consumo e ao não cumprimento das prestações alimentares aos filhos.

E, em muitos casos, já há penhoras em lista de espera, aguardando que as primeiras sejam liquidadas.

Os Bancos e o Fisco estão cada vez mais eficazes e, na falta de outros bens, a cobrança das dívidas ataca directamente os salários.

Perante tamanhos apertos, os trabalhadores desesperam. Tanto, que já têm dificuldade em ouvir os repetidos apelos do Presidente da República para que “não baixem os braços e não se deixem levar pelo desânimo e pela tristeza”.

A questão está em saber ... COMO?

domingo, julho 20, 2008

Levar a água ao moinho

A economia portuguesa está praticamente estagnada. As causas são várias mas o abrandamento das exportações e a crise que também afecta os países para onde tradicionalmente mais exportamos, nomeadamente a Espanha, são dois factores de peso que fazem desequilibrar a balança.

Então, o que fazer, desistir e acenar com a bandeira branca em sinal de rendição?

Pelos vistos o Governo terá pensado que seria melhor ir à luta, em vez de esperar sentado que a crise passasse e preferiu tentar novas estratégias e outras paragens para colocar os nossos produtos.
Sócrates foi a Angola, foi à Líbia e já tinha ido à Venezuela. Em todos eles foi em busca de petróleo, de gás natural e de novos financiamentos externos para Portugal. Mas foi também a esses países emergentes vender produtos e serviços portugueses, iniciativas que poderão dar um novo alento aos nossos empresários, aos trabalhadores e à economia em geral.

Fez bem ou fez mal? Pior do que fazer mal é nada fazer. E desancar o primeiro-ministro só por que ele não deita a toalha ao chão e tenta, através da diplomacia económica, conseguir melhores resultados dos que temos actualmente, parece-me injusto.

Mesmo que ele tenha exagerado nos elogios "ao trabalho a todos os títulos notável do governo angolano", a verdade é que em política, e salvaguardando os indispensáveis sentidos ético e de Estado, há jogos de cintura que têm que se fazer para conseguir levar a água ao seu moinho.

quinta-feira, julho 17, 2008

Transparência

Há uns meses concorri (com uns textos) a um passatempo promovido por uma revista de viagens em colaboração com um hotel alentejano, cujos prémios eram fins-de-semana nesse mesmo hotel.

Passados dois meses, e não vendo publicado o resultado do concurso, resolvi enviar um mail a essa revista a pedir a informação desejada.

A resposta foi clara:

“Bom dia estimado leitor,
Os vencedores não serão divulgados na revista uma vez que temos um volume de passatempos muito elevado e não nos é possível editorialmente, ter espaço disponível para publicar os nomes dos vencedores de todos os passatempos.
Em todos os casos os vencedores são sempre informados por e-mail de que ganharam o prémio e de qual a forma para usufruírem do mesmo.
Relativamente ao passatempo do XXXXXXXXX, os 5 vencedores já foram informados e já efectuarem as suas reservas.
Cumprimentos,”

Concordarão que um concurso que não faz anúncio público dos resultados é, no mínimo, suspeito. E mais, por que não existe transparência no processo, deixa-nos a desconfiança que podem estar a esconder qualquer coisa.

Quanto à desculpa que os vencedores não são divulgados – por falta de espaço disponível – ela é absolutamente esfarrapada.

No entanto, e apesar de não saber quem são, fiquei descansado pelo facto dos vencedores terem sido informados do prémio e de terem já efectuado as suas reservas. Gostaria, porém – e por curiosidade – de ter sabido os seus nomes e onde residem.

É que assim, e na ausência da tal transparência que é sempre desejável, fico sem saber se os premiados foram, de facto, os melhores ou se quaisquer outros que nem sequer tenham concorrido. Quem sabe se a secretária do administrador, o motorista, familiares ou, até mesmo, amigos.

A dúvida é legítima!

quarta-feira, julho 16, 2008

Só gostaríamos de perceber ...

O cidadão comum, pelo menos aquele que ainda vai ouvindo o que os políticos dizem, não pode deixar de ficar confuso perante os argumentos contraditórios que são aduzidos pelo Governo e pela Oposição.

Durante o Debate do Estado da Nação, realizado há poucos dias no Parlamento, o Primeiro-Ministro anunciou que iria ser criada uma taxa excepcional sobre os lucros das petrolíferas. Uma taxa nova de 25% (que o PCP logo sugeriu que deveria ser de 60%) a que alguém se lembrou de chamar, por semelhanças que pareciam óbvias, “a taxa Robin dos Bosques”.

Na altura, toda a gente pensou que era uma forma de, finalmente, se ir “roubar” aos ricos (à GALP e às outras) para ser distribuído pelos mais pobres.

Mas a (boa) sensação de justiça, não durou, afinal, muito tempo. Logo vieram os opositores – da esquerda à direita – dizer que a tal taxa não era nada uma nova receita conseguida pelo Estado, mas apenas uma antecipação de receitas fiscais. Ou seja, se a GALP tivesse que pagar, em 2010, 400 milhões de euros, o Estado iria lá buscar já no próximo ano 300 milhões e os restantes seriam pagos em 2010.

Portanto, e segundo a Oposição, Sócrates enganou a Assembleia da República e os portugueses e tudo não passa de “uma gigantesca fraude política”.

Para baralhar ainda mais as coisas, o próprio secretário de Estado dos Assuntos Fiscais parece ter assumido que "não há taxa acrescida, nem nova tributação, quanto muito há uma antecipação de receitas fiscais", o que contradiz claramente o que foi dito pelo Primeiro-Ministro e pelo Ministro das Finanças.

No debate de hoje na Assembleia da República, o Ministro dos Assuntos Parlamentares garantiu que o novo imposto sobre as reservas das petrolíferas é, de facto, uma taxa autónoma e não uma antecipação do pagamento de imposto , com a qual o Governo conta obter receitas adicionais superiores a 100 milhões de euros e garantiu que essa taxa não é dedutível no IRC.

Afinal em que ficamos, há, ou não, um novo imposto?

Ao menos, no tempo de Robim dos Bosques, tenha ele existido ou não, as coisas eram muito mais transparentes. Robim roubava aos ricos para dar aos pobres e ponto!

terça-feira, julho 15, 2008

Nunca é tarde ...


Expressões como a que dá título a este texto ou “velhos são os trapos”, fazem ainda mais sentido quando descobrimos que pessoas já com bastante idade, mostram vontade e capacidade para aceitar desafios novos, sem receio de enfrentar os riscos que possam advir dessas experiências.

Vem isto a propósito da notícia de que a autora de blogues mais velha do mundo, morreu aos 108 anos.

Olive Riley, australiana, nascida em 20 de Outubro de 1899, mantinha um blogue desde Fevereiro de 2007 – “A Vida de Riley” – onde criou mais de 70 textos.

Segundo afirmava “gostava de comunicar através do seu blogue com pessoas de outros continentes e apreciava a notoriedade que tinha adquirido porque lhe permitia manter a mente fresca”.

Olive Riley que escrevia sobre a vida moderna e as suas experiências durante o século XX , deu o título de “Canções Felizes” ao último post que publicou.

Grande lição de vida a desta senhora, que nunca terá pensado que seria tarde demais para se aventurar pelos caminhos "demasiado inovadores" da net.

Esta a minha modesta homenagem à “velha companheira bloguista”!



segunda-feira, julho 14, 2008

Mulher prevenida ...

Numa destas agradáveis noites de verão, um conhecido grupo estrangeiro de jazz tocava na Gulbenkian. A música agradou tanto ao auditório presente que o concerto acabou em festa e em grande intercâmbio entre músicos e público.

No meio dos agradecimentos, e em jeito de despedida, um dos músicos anunciou que havia

“some nice CDs on the stage”

Mal os elementos do conjunto viraram costas, o insólito aconteceu. Dezenas de pessoas correram para o palco, atiraram-se aos CDs e foram-se embora sem os pagar.

Quando a responsável pelos discos, que fazia parte do grupo, regressou ao palco viu incrédula o espaço vazio onde, antes, os CDs estavam expostos. Descontrolada, pegou no microfone e gritou que os CDs não eram grátis, que custavam quinze euros cada um e pediu que os devolvessem. Debalde, já se vê.

No dia seguinte e no mesmo espaço, a mesma intérprete deu um concerto a solo. Pousou alguns discos em cima do palco mas, desta vez e à cautela, colocou um cartaz bem visível junto a eles

“Don’t touch ... for sale”


Mulher prevenida ...

domingo, julho 13, 2008

Despudor


Gostaria, ainda, de voltar ao assunto da cimeira do G8 no Japão, sobretudo para manifestar a minha revolta perante a hipocrisia demonstrada por quantos dizem querer ajudar a acabar com a fome no mundo.

O que se passou é que no encontro dos mais poderosos do universo, em que se debatia, entre outras coisas, os altos preços dos bens alimentares e a escassez de comida nos países mais pobres, estes senhores não se coibíram de se deliciar com iguarias sofisticadas e de custos proibitivos. Uma provocação aos milhões de seres humanos que não têm com que se alimentar.

Não chegaria ao exagero de querer que eles se ficassem pela degustação de umas simples sardinhas assadas ou de uns pezinhos de coentrada, acompanhados por um tinto carrascão “da casa”. Mas refeições de gala, onde não faltaram sequer as trufas, o caviar, o salmão fumado e tantos outros magníficos manjares, regados de bons vinhos e de champanhe legítimo, foi, na verdade, uma ostentação demasiado chocante.

Por alguma razão, e até posso imaginar qual, nem os líderes do G8, nem os anfitriões japoneses se “lembraram” de convidar para os repastos alguns dos participantes nas reuniões sobre as questões alimentares, caso dos representantes da Etiópia, Tanzânia e Senegal.

A cimeira, de dois dias e meio, custou 358 milhões de euros. Convenhamos que é demasiado fausto num encontro desta natureza.

Razão tem Andrew Mitchell, do governo-sombra conservador inglês ao ter dito "é irracional que cada um destes líderes tenha dado a garantia de que vão ajudar os mais pobres e depois façam isto".

quinta-feira, julho 10, 2008

Quais progressos significativos?

O inenarrável George W. Bush, presidente dos Estados Unidos, afirmou na conclusão dos trabalhos da 34ª reunião de cúpula do G8, realizada na cidade deToyako, no Japão, que “foram alcançados progressos significativos”.

Ora, se nesta cimeira, os mais poderosos do mundo não resolveram os problemas das subidas incontroláveis dos preços do petróleo e dos bens alimentares e se, quanto à emissão de gases com efeito de estufa, só “expressaram o seu desejo de reduzi-los significativamente para 2050”, isto é, daqui a 42 anos, a pergunta que baila na cabeça de toda a gente é

Afinal, onde é que estão os tais progressos significativos?

Quando a estrada serviu de pista de aterragem

Desta vez não foi um mail que me mostrou uma avioneta a aterrar numa auto-estrada. Não, ontem, eu (quase) vi uma avioneta, um ultra-leve, o que queiram chamar-lhe, aterrar na estrada nacional 247, entre Cascais e o Guincho.


O dia estava esplêndido. O céu limpo, o sol quente e o mar maravilhosamente azul. O programa estava completo ou quase. E esse quase foi a chegada de um pequeno avião que lá no alto do firmamento inventava piruetas, loopings, voltas e reviravoltas. A elegância e o arrojo das suas manobras fez-me segui-lo durante uns minutos.

Até que o piloto decidiu acabar com o espectáculo e descer até alturas mais terrenas. E tanto desceu que acabou por desaparecer para além da curva da estrada, e já tão próximo dela, que o desfecho era mais que previsível.

Minutos depois, uns metros à frente da tal curva, deparei com o aparelho já sem a asa direita e três automóveis danificados com o impacto provocado pela aeronave.

Cheguei antes dos bombeiros e da polícia, mas foi desta última que vim a saber que aquela aterragem de emergência fora motivada por uma falha de motor do “Extra 300”, um pequeno avião de acrobacias, que o piloto, um homem de 36 anos, tinha saído ileso e que as pessoas dos carros abalroados estavam todas bem longe dos mesmos na altura do acidente.

Duas notas finais: a primeira para dizer que durante o “festival aéreo” creio ter notado duas paragens de motor (embora de pouquíssima duração), a que, por falta de conhecimentos na matéria, não atribuí grande importância. A segunda nota para transmitir a emoção sentida por toda a gente que esteve presente no local do desastre e a felicidade por não ter havido vítimas, naquilo que poderia ter sido uma verdadeira tragédia.




terça-feira, julho 08, 2008

No reino da confusão

A história não é fácil de contar. Mas começa, como todas as outras, por “Era uma vez ...”.

Era uma vez um Conselho de Justiça que dependia de uma Federação de Futebol.

Esse Conselho de Justiça, composto por sete juízes, estava reunido para julgar uns quantos recursos, cuja decisão era fundamental para resolver vários posicionamentos de equipas para a época seguinte. Quer nas competições nacionais quer nas internacionais.

Começada a reunião, o Presidente quis impedir um dos conselheiros de participar na votação. Como a pretensão não foi acolhida por cinco dos participantes, o Presidente decidiu dar por findos os trabalhos e abandonou a sala, seguido pelo seu vice. Ficaram os outros cinco que, muito embora já não estivessem em reunião (do ponto de vista formal, uma vez que já tinha terminado) continuaram a discutir os assuntos em agenda e deliberaram o que tinham para deliberar e pronto. Pronto, não, por que decidiram, ainda, levantar um processo disciplinar ao seu Presidente e suspendê-lo imediatamente.

As conclusões destes cinco resistentes, levaram a que um clube da primeira divisão fosse atirado para a divisão secundária e o presidente de um outro clube ficasse suspenso por dois anos. Com a primeira decisão, a vaga deixada pelo clube que sofreu o castigo seria preenchida por um outro clube da divisão secundária. Com a segunda resolução, por esse senhor presidente ser castigado, o clube a que preside deveria ser excluído da participação na mais importante competição da Europa do futebol, no que seria substituído pelo seu mais directo rival.

Estão a seguir a história? É que há mais ...

Ora, o Presidente do Conselho tinha decidido terminar a reunião, enquanto que os cinco conselheiros que ficaram, teimaram em continuá-la como se ela não tivesse acabado já. Esqueceram-se todos, no entanto, que sendo o Conselho de Justiça um órgão colegial, onde as decisões têm que ser assumidas pelo próprio órgão e não pelos juízes, nem a reunião acabou nem as deliberações foram válidas porque ambas as decisões não foram sancionadas pelo órgão Conselho de Justiça.

Assim, e até ver, nem uma equipa desce de divisão nem a outra sobe, não há qualquer Presidente de Clube castigado e nem há equipas que são admitidas nem excluídas das competições europeias. Nos entretantos, a Federação Portuguesa de Futebol vai instaurar um processo de investigação e a Procuradoria-Geral da República já fez saber que vai estar à coca.

Confusos? Não admira, tudo isto se passa no reino do futebol português, o mesmo é que dizer, “no reino da confusão”.

segunda-feira, julho 07, 2008

Os novos pecados

Já passaram quatro meses depois do Vaticano ter anunciado a lista dos novos pecados capitais. Para além dos que já existiam há séculos – a gula, a luxúria, a avareza, a ira, a soberba, a vaidade e a preguiça – Monsenhor Gianfranco Girotti, responsável pelo tribunal da Cúria Romana e número dois do Vaticano, em entrevista ao Observatore Romano anunciou que aos sete pecados já existentes a Santa Sé decidiu que, nos dias de hoje e face à nova realidade, deveriam juntar-se novos pecados.

A Igreja achou por bem reciclar-se e aproximar-se do mundo real e agregar os novos pecados, chamemo-lhes sociais, aos que já existiam e que se situam na esfera do estritamente individual.

Agora, situações relativas a manipulação genética, uso de drogas, desigualdade social, poluição ambiental, pedofilia e aborto passam a constar da lista dos novos pecados que podem custar o descanso eterno.

Se bem que eu não esteja a ver que alguém se vá confessar por não ter reciclado o lixo doméstico, o que realmente me chamou a atenção é que muitos dos representantes da Igreja já declararam que o que foi dito pelo Monsenhor Gianfranco Girotti não passa de uma posição individual perante os problemas que deparamos no mundo globalizado de hoje e não a posição oficial da Santa Sé.

E não me admira que muitos católicos reajam desta forma. Não nos esqueçamos que ainda não há muito, o Cardeal James Francis Stafford, também alto dignatário do Vaticano, anunciou que a Igreja considerava pecado passar muitas horas a ver televisão, fazer buscas na Internet ou simplesmente ler o jornal, considerando que o tempo dedicado a estas actividades não deixam tempo para a meditação e a leitura da sagrada escritura. Mas o Cardeal Stafford foi ainda mais longe considerando também como pecados o excesso de velocidade na estrada e a fuga aos impostos.

Quatro meses passaram. Continuamos a aguardar a informação oficial sobre se existem ou não, novos pecados ou se, pelo contrário, devemos continuar a considerar apenas aqueles que sempre conhecemos e que, convenhamos, estão a necessitar, também, de uma actualização face ao mundo de hoje.


domingo, julho 06, 2008

Fardamentos à parte ...


Ao que foi noticiado nos últimos dias, o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, admitiu que o subsído para compra de fardamento da PSP poderá ser revisto em breve. De facto, os míseros 5,50 euros que os polícias recebem e que não é actualizado há mais de 20 anos, não chegarão sequer para comprar um par de botas. Quando muito uma gravata e ... das mais baratas.


E a prova que o tal subsídio é insuficiente é que os agentes são forçados a recorrer ao endividamento e a comprar as fardas em lojecas e feiras onde as peças de fardamento são mais em conta.

Acho justa a reivindicação e estou certo que ninguém gostaria de ver os nossos polícias mal-vestidos, desarranjados ou até, no limite, desfardados.


Mas, interrogo-me, e desculpem o desvario. Por que é que a PSP tem direito a um subsídio de fardamento? O facto de ser uma força de segurança justificará, por si só, tal facto? Será que, com excepçao das armas (por motivos óbvios), a roupita tem mesmo que ser assegurada, total ou parcialmente, pelo Estado? E por que não existe o mesmo procedimento para com todos os outros funcionários públicos?

Eu sei que a PSP não gostou que o novo regime da Função Pública os tivesse considerado “funcionários públicos”, mas o certo é que os incluíu no pacote, ao contrário do que aconteceu relativamente à GNR e às Forças Armadas. E tão contrariados ficaram que o seu sindicato mais representativo, a ASPP, pediu ao Presidente da República e ao Procurador-Geral da República que suscitem a inconstitucionalidade do diploma.

Volto, contudo, à questão. Se os demais funcionários públicos, os operários fabris do Estado, todos os empregados das mais diferentes áreas, dos sectores público e privado, têm que se vestir à sua conta, porquê haver um regime de excepção para a PSP?

Ah, porque são obrigados a andar fardados. É verdade, mas também eu era obrigado a andar fardado de bibe na escola oficial e, que eu saiba, eram os meus paizinhos que tinham que mandar fazer os tais bibes e pagá-los da sua algibeira.

No fundo, os polícias até deveriam estar contentes por terem uma única vestimenta. Já pensaram no que eles gastariam se tivessem que ter múltiplas peças para não andar sempre com o mesmo traje?

Fardamentos à parte, olhem que há muita gente por aí que, ganhando bastante menos que eles, têm que ter essa preocupação!



quinta-feira, julho 03, 2008

Quando se puxa o lençol

A entrevista que o Primeiro-Ministro concedeu ontem à RTP1 não trouxe quase nada de novo.

Sócrates anunciou que irá alterar as regras do IRS para quem tem crédito à habitação (com a criação de escalões diferenciados, em substituição do patamar único para todos) e do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) para que as famílias mais desfavorecidas tenham melhores condições para enfrentar os sucessivos aumentos das taxas de juro do crédito à habitação. Também ouvimos anunciar que o Governo vai taxar as mais-valias das petrolíferas.

Tirando estas duas novidades, repetiu o que nós já sabemos, que as contas públicas estão controladas, que o apoio social tem vindo a aumentar, bla-bla-bla, bla-bla-ba.

E referiu, por diversas vezes, que o país, a Europa e o Mundo se sentem incapazes de controlar uma crise que vem de fora e que é alimentada basicamente pelos produtores de petróleo e pelos especuladores.

E não será esta a verdade nua e crua? Perante isto, o que é que podem fazer os governos senão promover medidas avulsas para tapar os “buracos” que vão surgindo um pouco por todo o lado quando as dificuldades vão sendo maiores? Ou então, promover políticas de médio-longo prazo que visem, gradualmente, substituir o petróleo. E, convenhamos, nesta matéria, este Governo tem desenvolvido nos últimos três anos um conjunto importante de acções no campo das energias alternativas.

O que me custa a perceber é que a oposição e alguns comentadores encartados da nossa praça não queiram (ou não possam) apresentar propostas sérias e exequíveis que salvem o país e se fiquem pela posição cómoda e fácil do deita abaixo, não aceitando como válida uma só iniciativa do Governo.

A verdade é que há mais desemprego, as famílias estão mais individadas, estamos cada vez mais afastados da Europa em termos de qualidade de vida e o número de pobres e novos pobres tem aumentado. Mas atribuir a culpa de tudo o que acontece de mal única e exclusivamente ao Governo parece-me, francamente, uma politiquice reles. Ou será que as crises provocadas pelo aumento das taxas de juros, dos combustíveis e dos bens alimentares são males menores que pouco influenciam a nossa economia?

Por muito mau que seja um Governo – seja ele de que quadrante for - de certeza que encontraremos alguma coisa de jeito que ele tenha realizado. Uma só que seja. A não ser que achem preferível que o Governo nada faça (como sugeriu ontem, na SIC Notícias, Medina Carreira), cruze os braços e deixe o país definhar rapidamente. O que não levaria muito tempo.


Milagres não se fazem. Ao serem anunciadas medidas - que pecam, porventura, por serem tímidas - que visam aliviar um pouco a situação dos portugueses, logo se levanta um coro de descontentes porque a receita fiscal irá baixar e, consequentemente, o investimento público diminuir, ou com a quebra da taxa do IMI que fará ir por água abaixo os orçamentos das autarquias.


A questão é que, num país pobre como o nosso, de economia aberta e muito exposta a todos “espirros” que nos chegam de fora, quando puxamos o lençol para cobrirmos o pescoço, os pés ficam destapados.


quarta-feira, julho 02, 2008

A segunda posição

Foi com curiosidade que li na imprensa destes últimos dias que ia ser criada uma nova associação com o intuito de fiscalizar os fiscalizadores e de vigiar os vigilantes.

Dito de outra maneira, esta nova agremiação assume-se como defensora dos seus associados (e também dos não associados) e dos comerciantes e particulares, face ao que consideram o fundamentalismo evidenciado pelas inspecções. De todas, genericamente mas, sobretudo (e esta é a minha interpretação), das inspecções efectuadas pela ASAE.

Sempre me transmitiram a ideia de que era desnecessária, contraproducente até, a existência de um controlo sobre outro controlo. Exercer a fiscalização de um determinado elemento ou grupo que já tem, precisamente, a missão de fiscalizar, não é uma boa prática. A duplicação de tarefas, por ser supér
flua, constituiu uma sobrecarga de custos e o ideal será sempre definir com clareza as competências do fiscalizador e responsabilizá-lo devidamente.

Se esta nova organização, porventura insatisfeita pelos exageros e más-interpretações da lei por parte de certos órgãos fiscalizadores, se propõe inspeccionar esses mesmos órgãos, constituindo portanto, aquilo que se costuma designar por uma segunda posição de controle sobre quem está mandatado para o fazer, então, meus senhores, não tardará aí quem se apresse a querer controlar tudo e todos, a começar pelas diversas polícias, os serviços de informação, as grandes e pequenas empresas de auditoria, o Tribunal de Contas e os demais que se dedicam às actividades de supervisão e de controlo.

Tudo a dobrar, para que não haja desconfianças.


Umas vezes para baixo e quase sempre para cima

É verdade que estamos (quase) todos apreensivos com os efeitos da crise. Mas o início da época de férias que agora começa para muitos portugueses, faz, de certo modo, “esquecer” os apertos de cinto que tanto nos têm afligido nos últimos tempos.

E se não podemos fugir, de todo, às preocupações, pelo menos agora que vai começar esta pausa maior tão ansiada, devemos fazer os possíveis para tentar esquecer todas as inquietações e para gozar em pleno os dias que aí vêm.

Tanto mais que a vida, como dizia o Herman, “é como os interruptores, umas vezes para cima e outras para baixo”.

Foi, afinal, o que aconteceu agora, com o anúncio dos aumentos e das descidas, de alguns bens e produtos.

Do lado das coisas boas, o IVA baixou 1% (a descida é tão pequena que, para nós cidadãos comuns, nem vamos notar), o preço do gás natural para as famílias desceu 3,4%, as portagens já são mais baratas para os camionistas e o aumento do abono de família subiu 25% para um milhão de beneficiários da Segurança Social (o que será uma pequena ajuda mas que não passará disso mesmo).

Do outro prato da balança, e não falando da gasolina e do gasóleo que continuarão a subir sabe Deus até onde, regista-se o aumento do preço dos transportes (com excepção dos passes sociais), o aumento das taxas de juro (recorde-se que num ano as prestações do crédito à habitação subiram 25% e, essa sim, está-se a tornar uma subida constante que nos deixa os cabelos em pé e os nervos em franja) e o de todos os produtos que venham a reflectir no preço final o aumento do preço dos combustíveis.

Como vêm, tal como na vida, os preços também se mostram sensíveis às descidas e subidas, umas vezes para baixo e, na maioria dos casos, para cima.

Pelo que, não vale a pena cairmos em depressão só porque o preço do barril de petróleo continua em ascensão, ou começarmos a pensar em fugir das gasolineiras logo após abastecermos os depósitos dos carros nem, tão-pouco, a tomar a decisão de fazer como aquele cidadão inglês, residente na Austrália, que, depois de ter sofrido um grande desgosto de amor, decidiu vender toda a sua vida (casa, moto, carro e tudo o mais que lhe pertencia) por uns quantos milhares de euros.

Não meus amigos, embora inquietos – desesperados, alguns - vamos tentar ultrapassar este mau momento, com a resignação que se tornou já apanágio deste povo sofrido e maltratado mas que, apesar de tudo, continua esperançoso.

Esta a minha mensagem de esperança. Pelo menos até saber em quantos pontos percentuais é que o Banco Central Europeu decidiu subir a taxa de juro.