quarta-feira, outubro 03, 2007

O currículo não exigia ...


O dia 21 de Julho é o dia nacional da Bélgica. Este ano, quando em plena comemoração do feriado nacional, um canal público de televisão pediu, em directo, ao primeiro-ministro belga que dissesse aos telespectadores o que é que se estava a comemorar, Yves Leterme engasgou-se, engasgou-se mais ainda, e lá disse que se celebrava a proclamação da Constituição. Errou messieur Leterme porque o que de facto se comemorava era a entronização de Leopold I, o primeiro rei do país, em 1831.

Mas há dias em que não se pode sair de casa e muito menos falar com os jornalistas, sobretudo se as entrevistas são emitidas em directo.

Ainda não recuperado da falha grave que cometera, o senhor Leterme enterrou-se de todo quando o mesmo jornalista lhe pediu para trautear os primeiros versos do hino nacional belga.

Desta vez, sem se engasgar e com convicção patriótica “atacou” um “Allons enfant de la Patrie”, que não é, como se sabe, o Hino Nacional da Bélgica mas sim o Hino Nacional da França. Yves Leterme confundiu a “Marselhesa” (o da França) com a “Brabançonne”, este sim, o Hino oficial da Bélgica.

Um dia realmente mau para o senhor Leterme. Como é que uma pessoa que ocupa um cargo tão importante pode ignorar dois dos símbolos da história do seu próprio país?

Mas se é verdade que tudo tem uma explicação, eu não consigo arranjar outra que não seja que, pelo menos lá na Bélgica, não faz parte do currículo exigido aos candidatos a primeiro-ministro, o conhecimento do seu Hino Nacional e os factos que originaram a comemoração do dia nacional do país.

Tudo passaria despercebido, no entanto, se aquele jornalista da RTBF, o canal público francófono, não fosse tão abelhudo e não se tivesse armado em esperto a fazer perguntas completamente descabidas ...

2 Comments:

At quinta-feira, outubro 04, 2007 11:39:00 da manhã, Anonymous suponhamos said...

Claro que é muito mais grave um primeiro-ministro não saber o seu Hino Nacional, ou confundi-lo com um outro Hino de um país vizinho, como foi o caso.

Mas o que dizer daqueles rapazes que representam as selecções nacionais, nomeadamente de futebol, e quando chega a hora de cantar “A Portuguesa”, ou ficam pura e simplesmente calados ou acompanham as sílabas finais de algumas palavras.

É confrangedor. Acho mesmo que para se representar uma selecção nacional deveria exigir-se pelo menos duas coisas: que sejam bons naquilo que fazem e que saibam, sem hesitações, a música e a letra do Hino Nacional.

Exigência que devia também aplicar-se aos estrangeiros que estão naturalizados portugueses e que representam Portugal.

 
At quinta-feira, outubro 04, 2007 1:06:00 da tarde, Anonymous porcos no espaço said...

Nesse aspecto, o Pepe é o maior.

Para os mais distraídos, o Pepe é jogador de futebol, brasileiro de nascença, que após passagem de vários anos pelo futebol português rumou a Espanha. Esta é a sua primeira época no Real Madrid.

As exibições do Pepe já há muito que vinham chamando a atenção tanto dos colossos europeus como da Selecção Nacional.

Agora, finalmente naturalizado cidadão português, Pepe já fala como tal. Segundo afirmações suas, todos os seus amigos são portugueses, a sua mulher é portuguesa, sabe a letra d'"A Portuguesa" de trás para a frente e até está fazer por perder aquele sotaque à Roberto Leal.

Temo que esta sua galopante ambição para se tornar 100% português o leve a tentar voltar para o ventre materno e a obrigar a pobre senhora a fazê-lo nascer em território nacional.


E quando se põe lado a lado um jogador de futebol e um Primeiro-Ministro, e o primeiro sabe mais que o segundo...

 

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