quarta-feira, abril 18, 2012

O conflito de interesses




Quando ouvi a notícia nem queria acreditar. O presidente da Caixa Geral de Depósitos foi nomeado para a presidência da Associação Portuguesa de Bancos. E o que é que isso tem de mal, perguntarão. Nada, respondo. Nada, a não ser o facto da mesma pessoa vir a ser o presidente da Caixa e, simultaneamente, o presidente da APB que, como se sabe, é um lóbi do sector privado. E mais, ao que veio a público, o Eng.º. Faria de Oliveira resolveu optar pelo salário que lhe vai pagar a APB (que é três ou quatro vezes maior do que ganha actualmente) e prescindir, portanto, do salário que aufere como presidente da Caixa. Ou seja, o vencimento de um presidente da Caixa Geral de Depósitos (cujo acionista único é o Estado) vai ser pago pela Associação da banca privada!

Aqui se regista a novidade. É que, no passado, pessoas como João Salgueiro ou António de Sousa, por exemplo, também foram presidentes da CGD e passaram a ser – depois - presidentes da APB. Sublinho: depois, não ao mesmo tempo.

No caso presente, o que me inquieta é o conflito de interesses que a questão suscita. Sentir que, num primeiro momento, o presidente da Caixa está a representar o Banco do Estado e, num momento seguinte, pode estar a defender a Banca privada, cujos interesses não são, regra geral, coincidentes.

E, naturalmente, sem me estar a referir em concreto a Faria de Oliveira, esta simultaneidade de funções pode proporcionar situações mais nublosas como sejam o tráfico de influências, corrupção ou outras. Mas mesmo que isso não aconteça há sempre o problema da ética (ou da falta dela).

Como dizia o João Cravinho há dias: “O simples facto de existir esta situação é em si mesmo prova da existência de uma enorme menoridade moral à frente do País …”