terça-feira, abril 17, 2012

O fumo que incomoda …


Sinto-me perfeitamente à-vontade para comentar o assunto de hoje porque NÂO SOU FUMADOR. Durante muitos anos tive que suportar (muitas vezes sem direito a indignar-me) o fumo dos outros em espaços fechados. Mas eram espaços públicos - restaurantes, aeroportos, locais de trabalho, transportes, onde não se podia fugir à tirania (tantas vezes arrogante) de quem tinha o vício. Por isso rejubilei quando foi decretada a proibição de fumar em espaços fechados. Contudo, e repito, eram ESPAÇOS PÚBLICOS.

Agora esta vontade abstrusa de legislar para que não se possa fumar em automóveis PRIVADOS, desde que neles viagem crianças, parece-me completamente inaceitável. É uma medida que irá intrometer-se na esfera mais privada das famílias. E logo vinda de um Governo que se tem mostrado tão liberal e que quer tirar o Estado de tudo o que é actividade económica. Em contrapartida, acha-se com o direito de intervir num caso como este.

O assunto é polémico, já se vê. Sabe-se que a lei em preparação pelo Executivo é rejeitada até por muitos deputados da maioria. Mas a ser aprovada, tenho muitas dúvidas que seja exequível. Como é que irão montar o sistema de fiscalização? Será que vai haver um agente à esquina da cada rua? O que está em causa, porém, é o modo (e eu não duvido da bondade das intenções) como querem defender as crianças e a sua saúde. Eu acho que esse desiderato se alcançaria mais eficazmente se houvesse adequadas campanhas de informação (sobre os eventuais malefícios do tabaco para a saúde dos fumadores passivos) em vez de se restringir as liberdades de cada um.

Fala-se muitas vezes na Finlândia como exemplo de uma Nação modelo. Pois em 2009 na Finlândia, a população mostrou-se favorável à proposta do Governo para proibir o fumo dentro dos carros em que viajassem menores de 18 anos mas, em Maio de 2010, um comité do Parlamento acabou por travar o projecto, argumentando: “a decisão de fumar no interior de uma viatura é um assunto da esfera pessoal de cada cidadão e por isso não deveria ser regulamentada por uma lei”. Talvez fosse boa altura de olhar para o exemplo daquele país escandinavo.