quarta-feira, setembro 26, 2007

Oh vento danado ...


Foi um alívio quando, finalmente, conseguimos entrar no restaurante. Apesar do sol de Setembro que ainda se fazia sentir quente, o vento soprava forte, tão forte que nos retardava o passo e desalinhava os penteados.


Já abrigados e sentados, ao consultar a carta vimos que o vento sentido lá fora tinha produzido efeitos colaterais nos nomes dos próprios pratos que constavam na lista. Não nos nomes propriamente ditos mas na ortografia com que estavam escritos.

Assim, verificámos que a maioria deles por serem “à qualquer coisa”, por exemplo, “bacalhau à lagareiro”, tinham-se transformado “á qualquer coisa”.

Desta forma, a lista imensa apresentava para o dia:

“bacalhau á lagareiro”
“carne de porco á alentejana”
“bifes de peru á Ti Deolinda”

e por aí a fora, pratos de peixe e de carne, todos “á”, o que lhes conferiam um sabor especial e certamente diferente.

Mas um, era mais especial que os restantes, e percebe-se porquê. Era o “bife há casa”, que por ser "à casa", tinha-se distanciado claramente do “á” dos outros pratos, para assumir um orgulhoso e personalizado “há casa”.



Mas o que me preocupa mesmo não tem a ver propriamente com a restauração em especial, ou com os cardápios que os restaurantes têm prontos para apresentar aos seus clientes.

O caso é mais grave e prende-se com o facto das alterações climatéricas poderem provocar fenómenos tão diversos e tão inesperados como aconteceu com este vento forte que, de tão forte, foi capaz de abanar com os acentos dos menus, mudando-os de graves para agudos e vice-versa ou, pior ainda, capaz de, num momento de vento mais forte ainda, fazer cair um “h” onde ele menos se esperava e onde era, apenas, desnecessário.



Isto dos ventos tem muito que se lhe diga ...

3 Comments:

At quinta-feira, setembro 27, 2007 10:44:00 da manhã, Anonymous Portuga said...

Encontrei isto como exemplo de aplicação dos diferentes "ás" portugueses:

"Andar à volta com um assunto não resolve nada. Há formas melhores de se viver a vida. Há que saber não pensar demasiado, ir à fonte do problema e resolvê-lo. Por vezes a solução é simples (há sempre uma solução para tudo) e quando a encontramos dizemos: Ah, como é que eu não me lembrei disso antes!"
de: soslayo

Até à próxima ...

 
At quinta-feira, setembro 27, 2007 11:14:00 da manhã, Anonymous porcos no espaço said...

É o aquecimento global.

 
At quinta-feira, setembro 27, 2007 11:44:00 da manhã, Anonymous olavretni said...

Ai, Portuga, se seguíssemos a fórmula do exemplo que citaste, estávamos feitos. É que o problema nacional é exactamente o de não pensarmos muito, aliás, o de não pensarmos mesmo. E o resultado disso, que é invariavelmente muito mau, acaba por ser a própria solução. Ou seja, não se pensa, faz-se mal, habituamo-nos, começa a ser o normal. Uma má prestação continuada acaba por tornar-se numa boa prestação

Como dizia um professor que tive: “Tens cabeça? Então pensa, é para isso que ela serve, não é para andar toda penteadinha”.

E o pensar neste caso é tão simples, é exactamente ir à fonte do problema, o que nos vai levar à educação, a base de quase tudo.

 

Enviar um comentário

<< Home