terça-feira, setembro 30, 2014

Entre a esperança e a alegria ...







No passado domingo António Costa ao vencer, de forma indiscutível, as Primárias do Partido Socialista, criou uma forte onda de esperança nas hostes socialistas, mas também em muitos outros portugueses. Se é certo que durante a campanha eleitoral ele não disse (nem tinha que o fazer nesse momento) grande coisa sobre o que pensa fazer quando for Primeiro-Ministro, se ganhar as legislativas, o que se espera agora é que António Costa dê corpo àquilo que as pessoas mais desejam: que levante o país e que ajude a restituir o orgulho aos portugueses.

Mas o último domingo não deu a Portugal apenas a esperança de um novo ciclo político. Trouxe também uma alegria: a selecção portuguesa masculina de ténis de mesa sagrou-se, pela primeira vez, campeã europeia. Na final, os nossos atletas do ping-pong (como dantes era conhecida a modalidade) conseguiram uma vitória por 3-1 sobre a selecção alemã. Um feito histórico que soube ainda melhor porque os alemães eram os campeões europeus há seis anos consecutivos. Por isso, vale bem a pena sublinhar a alegria desta vitória, a qualidade dos nossos mesatenistas (eles inventam cada expressão) e as legítimas expectativas sobre participação destes atletas nos próximos Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil. A ver vamos ...


sexta-feira, setembro 26, 2014

Desculpem qualquer coisinha ...



Era muito pequeno mas lembro-me dos meus pais me ensinarem a dizer "obrigado", "por favor" ou "desculpe". Famílias e educadores promoviam e incutiam nos miúdos as então chamadas "boas maneiras". E recordo com saudade como muitas das minhas travessuras de criança terminavam com um pedido de desculpas que a minha mãe, com um coração do tamanho do mundo, aceitava em troca de um beijo e de um abraço.

Cresci a ouvir que "as desculpas não se pedem, evitam-se". Compreendendo, embora, sempre acreditei que quando se erra, junto ao pedido de desculpas, deve haver uma assunção de responsabilidades.

Se assim era noutros tempos, parece que o deixou de ser. As regras comportamentais foram-se alterando e durante muito tempo quem errava não se justificava e, muito menos, era responsabilizado. Julgo que agora entrámos numa nova fase em que ao erro se junta um pedido de desculpa mas depois nada acontece.

Ainda na semana passada dois Ministros do actual Governo pediram publicamente desculpas por erros crassos dos serviços de que deles dependem. E houve alguma consequência disso? Não! Dir-me-ão que não são os Ministros que têm culpa dos erros cometidos pelos técnicos dos seus Ministérios. É verdade, mas tratando-se de governantes, há que retirar consequências políticas desses erros. Nuno Crato pediu desculpas no Parlamento (por erros gravíssimos na colocação de professores) mas o que aconteceu é que foi o Director-Geral responsável a pedir a demissão e o Ministro regressou ao gabinete. De Paula Teixeira da Cruz, que também pediu desculpas públicas (pelo caso da falhada implementação da plataforma informática do Citius), nem demissões houve e a Ministra ficou em paz.

Numa democracia madura como a nossa, parece-me insuficiente que, em casos como os referidos, os responsáveis se fiquem por meros pedidos de desculpa e por declarações de assunção de responsabilidades para depois, na prática, nada acontecer. Nem consequências pessoais nem políticas. Recordo que em 2001, o Ministro do Equipamento Social, Jorge Coelho, demitiu-se após a queda da Ponte de Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva, que provocou dezenas de mortos. E, seguramente, não foi ele que construiu a ponte nem foi ele o responsável pelas inspecções que tinham que ser feitas. Jorge Coelho era "apenas" o Ministro que tutelava aquele tipo de estruturas e, portanto, ele era tão-somente o responsável político por essa área. Pediu desculpas e demitiu-se. Outros tempos!

quarta-feira, setembro 24, 2014

Portugal vence Óscares do Turismo



"it's raining cats and dogs", como diriam os ingleses. A muita chuva que tem caído nos últimos dias quase nos fez esquecer o belíssimo tempo que fazia há umas semanas quando passeei pela renovada Ribeira das Naus em Lisboa. Cruzei-me, então, com um número de significativo de turistas (portugueses e estrangeiros) que por ali deambulavam, sob um sol radioso e um céu azul límpido. Uns vindo do Terreiro do Paço, uma das mais belas praças do mundo, outros da zona da Ribeira, quiçá de Belém, sempre tendo por fundo o cenário maravilhoso do Tejo (onde os barcos cruzavam as águas), da Ponte 25 de Abril e do Cristo Rei. Um local extremamente aprazível.

Mas Portugal está cheio destes lugares. É incrível como um território relativamente pequeno pode proporcionar tanta monumentalidade e História, tão boas praias, planícies a perder de vista, belos recantos e onde, num só dia, podemos encontrar tudo isso. Não esquecendo, claro está, a nossa gastronomia e os nossos vinhos cada vez mais premiados no estrangeiro. Não admira, pois, que Portugal esteja cada vez mais na moda.

E a prova desse apreço é que o nosso país foi o grande vencedor dos World Travel Awards 2014. Várias entidades credíveis (jornais como The Guardian, New York Times e El Pais/Lonely Planet, televisões como a norte-americana CNN, revistas como a Forbes, blogues como o Huffington Post, empresas e associações internacionais de turismo, 'sites' e imprensa especializada no sector) atribuíram a Portugal 16 Óscares de turismo, para além de outros prémios que, de forma categórica, o país tem vindo a receber pela beleza e qualidade dos locais e estruturas hoteleiras.
 
É bom saber como somos apreciados. Contudo, continua a faltar a atribuição de um galardão ao nosso povo, sempre caloroso e hospitaleiro. Esta gente também merece um grande prémio.

terça-feira, setembro 23, 2014

O "imparável inferno legislativo"



Ao ler um artigo recente de António José Teixeira que comentava a abundância de leis que se publicam em Portugal, não pude deixar de sorrir uma vez que a opinião do jornalista vem ao encontro daquilo que constato há muito. Fazem-se leis e mais leis, umas a inovar, outras a revogar, outras a rectificar outras tantas que não produziram os resultados esperados, outras, ainda, porque sim. E tanta azáfama parece justificar-se pela necessidade dos Ministros terem que mostrar trabalho, de produzir legislação que inove, que altere, que rectifique tudo o que havia até então porque, até ali, tudo estava errado. A produção de tantas leis faz-nos até pensar que o ordenado do legislador está indexado à quantidade de documentos que publica, o que talvez não corresponda à verdade mas que deixa a dúvida se não terá antes a ver com a sua continuidade política.

O "imparável inferno legislativo" como lhe chamou António José Teixeira esconde, porém, a verdadeira essência da questão. Se é certo que o legislador deixa a sua assinatura espalhada por grande número de diplomas - nada permanece como dantes porque têm que ficar registadas as suas diferenças em relação ao governante anterior. Afinal, se não houvesse alterações para quê mudar de Ministros? - o certo é que o problema de fundo, a reforma necessária raramente é concretizada, sequer pensada. Fica-se pelo mais simples, pela elaboração (se calhar com boas intenções, porventura por um vazio de ideias) de umas quantas leis avulso. Veja-se, como exemplo, o que se passa com a Educação. Todos os anos se alteram as regras e ninguém consegue adivinhar como, no início de cada ano lectivo, se vai desenrolar o processo de colocação de professores ou como vão funcionar as escolas. Já nos habituámos que tudo se reja pelas "novas ideias" que o Ministro em funções se lembra de pôr em prática, sem que tenha sido feita previamente uma séria reflexão sobre o assunto. Tudo isto a provocar a enorme angústia e transtorno de quem apanha pelo caminho. E de nada servem uns tardios pedidos de desculpa ...

quarta-feira, setembro 17, 2014

Comunicação precisa-se ...



"Não é por acaso que casais veteranos, juntos há muitos anos e que já esgotaram todas as soluções de conversa e entretenimento a dois, seguem o seu caminho para o restaurante mais próximo: porque sabem que, no meio do silêncio mastigado, um deles irá, a dada altura, atirar a preciosa tábua de salvação que é a frase “isto está bom, não está?”".


O texto acima, retirado de uma crónica bem-humorada de Nuno Markl, retrata, de alguma forma, o amor dos portugueses pela comida e pela mesa. Para mim, no entanto, ele traduz sobretudo a falta de comunicação existente em casais que vivem juntos há muito.

Ainda há poucos dias assisti ao silêncio ensurdecedor de um casal que jantava numa mesa próxima da minha e que “conseguiu” passar toda a refeição sem trocar um olhar ou uma palavra que fosse. Notava-se um profundo vazio de convivência e em nenhum deles me apercebi que houvesse essa necessidade. E sabe-se bem como uma das chaves do sucesso de um casal é precisamente a comunicação. É que nem lhes consegui ouvir, num murmúrio que fosse, “isto está bom, não está?".

terça-feira, setembro 16, 2014

O insólito caso da escola que custou 100 mil euros e durou uma semana ...



Adaptando a conhecida expressão “O coração tem razões, que a própria razão desconhece”, ele há coisas que não se conseguem entender, dê lá por onde der. Como foi o caso de uma escola primária em Monsanto que foi inaugurada há cerca de três meses, funcionou apenas uma semana (ainda no ano lectivo passado) e já não vai voltar a abrir. Isto porque só estão inscritos 11 alunos, quando o Ministério da Educação definiu que o número de alunos necessários para haver escolas abertas é de 21.

Não discuto o critério, mas o que me causa espanto é que o mesmo Ministério, do mesmíssimo Governo da época escolar anterior e até com mesmo Ministro - que já deveriam saber que este ano aquela escola iria funcionar com 11 alunos - só agora tomasse a decisão de não abrir o estabelecimento de ensino. Ainda assim, deixaram que a Câmara de Idanha-a-Nova gastasse 100 mil euros na requalificação do edifício da escola. Ignoraram também o facto de outras 18 crianças estarem matriculadas no jardim de infância e, finalmente, estiveram-se nas tintas para o esforço que a autarquia está a fazer (nomeadamente com as estruturas para a educação) para atrair pessoas a viverem no concelho que, como todos os do interior, tendem a ficar cada vez mais desertificados.

Certamente que haverá razões que a razão e o bom-senso desconhecem. E estas, iria jurar, não se prenderão com a comodidade e o bem-estar dos miúdos que, pese embora possuam umas óptimas instalações e condições na escola da aldeia, terão que, a partir de agora, fazer uma viagem diária de cerca de 50 quilómetros.

sexta-feira, setembro 12, 2014

A "pobre vida" de um comissário europeu ...



Afinal, e depois do "sempre tão bem informado" Financial Times ter anunciado que Carlos Moedas iria ficar com a pasta do Emprego e Assuntos Sociais, o nosso futuro comissário na Comissão Europeia terá sob sua responsabilidade a pasta da Investigação, Ciência e Inovação, com um orçamento de cerca de 80 mil milhões de euros para gerir.

Moedas é um tecnocrata eficiente e dado o seu percurso profissional (mais do que o político) no sector financeiro, não tenho grandes dúvidas que virá a desempenhar a tarefa a contento. Muito embora a nomeação para este cargo não deixe de ter alguma ironia. É que Carlos Moedas, ainda membro deste governo, vai ser o comissário da Investigação e Ciência, justamente um sector em que o actual executivo mais desinvestiu em Portugal.

Portanto, não está em causa a sua nomeação. O que verdadeiramente me choca é o que ele vai ganhar: um salário bruto mensal de 20.832 euros (e assim que chegar à Bélgica receberá o equivalente a dois salários para que possa proceder à sua instalação naquele país), um subsídio de alojamento que pode chegar aos 3.123 euros, mais um montante a título de despesas de representação na ordem dos 607 euros. Isto para já. Sim, por que daqui a cinco anos, quando abandonar o cargo que está prestes a ‘abraçar’, Carlos Moedas terá direito a receber - durante três anos - o equivalente a um salário base para realojamento de, pelo menos, 8.333 euros, correspondentes a 40% do vencimento base. E aos 65 anos, quando se aposentar, o comissário europeu terá direito a uma pensão de 4,275% do vencimento base por cada ano de trabalho.

Por mais competente e difícil que seja o seu trabalho, acho escandalosas tamanhas mordomias num contexto nacional e europeu em que os cidadãos passam o que passam. Será desta forma que se pretendem resolver as assimetrias sociais e encontrar um equilíbrio para a distribuição da riqueza?

quarta-feira, setembro 10, 2014

Não há almoços grátis ...



A situação é já antiga mas só agora se soube através de uma notícia do jornal Público. Em Outubro de 2007 o embaixador Pedro Catarino, então presidente da Comissão Permanente das Contrapartidas (CPC) - a estrutura estatal criada no âmbito dos ministérios da Defesa e da Economia, para acompanhar o desenvolvimento dos contratos que prometiam injectar várias centenas de milhões de euros, e resultavam de negociações entre o Estado e os vendedores de veículos e armamento para as Forças Armadas - foi convidado pelo seu velho conhecido, o advogado Bernardo Ayala, sócio da Sérvulo Correia & Associados, para um almoço em que também estiveram presentes duas outras advogadas daquele escritório. Foram duas horas de “amena cavaqueira”, na descrição do embaixador. Convém recordar que a Sérvulo Correia & Associados prestava assessoria à CPC desde 2003. Enfim, um almoço de amigos!

A história não passaria disso mesmo, não fosse o facto de dois meses depois desse almoço a Sérvulo Correia & Associados ter enviado a conta do almoço à CPC. No meio de centenas de horas de trabalho cobradas pela sociedade de advogados estava uma factura de “duas horas” vezes “três juristas”, com um valor de 1080 euros mais IVA.

Dessa vez, e dada a indignação do embaixador Pedro Catarino, o pagamento foi recusado. Na carta endereçada pelo embaixador a um alto responsável militar pode ler-se: "Um abuso e deontologicamente reprovável que a Sérvulo Correia venha pedir honorários pelas duas horas que os três juristas passaram comigo em amena cavaqueira". Mas o que terá acontecido ao longo dos anos com "almocinhos" deste tipo? Presumo eu que tenhamos (nós, quem haveria de ser?) pago a grande maioria dos repastos. A tão badalada promiscuidade entre políticos, banqueiros e sociedade de advogados ...

Só que o melhor da história ainda estava para vir. O escritório de advogados, por carta, reconheceu o erro. O problema é que a missiva enviada também teve um preço: “quarenta e cinco minutos” de honorários pela sua escrita. "Tempo é dinheiro", não é o que dizem?

terça-feira, setembro 09, 2014

Entusiasmo ou ... insensatez?



Mesmo sabendo que nas campanhas eleitorais, independentemente a que se destinem, os políticos exageram (na forma e na substância) as promessas que fazem, há limites que não podem ser ultrapassados. E nem sequer o calor do entusiasmo das campanhas pode ou deve sobrepor-se ao bom senso exigíveis a quem quer ser líder de alguma coisa.

E foi isso que aconteceu quando em Montalegre, distrito de Vila Real, António José Seguro encontrou uma sala cheia de militantes e simpatizantes e aproveitou, por isso, para insistir no apelo à mobilização e ao voto nas eleições primárias do Partido Socialista, no próximo dia 28.

Seguro, porventura excitado pelo acolhimento dos transmontanos, às tantas, atirou com esta:


"E sabem porque é que ninguém nos vai parar? Porque na República todos nós temos o mesmo voto. E o voto de um agricultor em Montalegre é precisamente igual ao voto de um doutor em Lisboa".


Patético, para não dizer pior ... Onde diabo foi ele buscar tamanha loucura? É que, no mínimo, muitos dos transmontanos presentes - agricultores ou não - por não se sentirem (e bem) inferiores aos ditos doutores da capital, juraram a pés juntos que iriam votar em António Costa.

Um entusiasmo de António José Seguro que lhe saiu um bocado ao lado ...

quinta-feira, setembro 04, 2014

Os professores e o "caus" ...



Na prova que permite o acesso à carreira docente para professores contratados com menos de 5 anos de serviço, 86% dos 10 220 professores passaram. Porém - e lá estou eu com a mania dos "porém", dos "se" e dos "mas" - fiquei preocupado com o facto de 63% dos professores (2 em cada 3) terem dado erros ortográficos, 67% erros de pontuação e 53% erros de sintaxe. O verdadeiro "caus", se é que me faço entender. É verdade que a prova tinha por objectivo avaliar o raciocínio lógico e critico e a capacidade de comunicação mas, concordarão comigo, em pessoas que se dispõem a ensinar, não nos descansa saber que muitos deles não sabem escrever nem, o mínimo dos mínimos, desconhecem completamente as regras e os princípios que regem a organização dos constituintes das frases. Isto para não falar, e isso não foi agora aferido, de que muitos professores não sabem a tabuada. Argumentarão, de que serve a tabuada para um professor de português ou de inglês? E eu, do alto das minhas décadas de vida, respondo que para o ensino da disciplina talvez não seja fundamental mas continuo a achar que, mesmo havendo umas máquinas que sabem fazer todas as contas, e que muitas outras pessoas também não sabem a tabuada, o facto de serem exactamente professores lhes confere uma responsabilidade acrescida.

Quanto aos que deram erros de ortografia dizem por aí que muitos dos professores se desculparam com a confusão provocada pelo acordo ortográfico. A ponto de escreverem em rodapé "escrito de acordo com o novo acordo ortográfico e também de acordo com antiga ortografia". É de Mestres!

quarta-feira, setembro 03, 2014

O mau e o bom Banco ... ou as duas caras de um Banco ...



Este ano, por motivos familiares, não tive oportunidade de fazer as férias do costume, em que, "a banhos noutras paragens", consigo passar ao lado (pelo menos fugir aos detalhes das coisas) do que de mais importante se vai passando, se é que se costuma passar alguma coisa importante em Agosto. Afinal, é a altura do ano a que se costuma chamar a "sealy season" como dizem os ... portugueses.

Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com o BES, talvez o maior colosso financeiro cá do burgo. Embora há quase um ano se adivinhasse que coisas esquisitas se passavam (praticadas ou consentidas pela sua Administração, estamos para saber), inexplicavelmente sem que medidas de fundo fossem tomadas, a bomba explodiu precisamente no início de Agosto. Com um estrondo bem descrito por Baptista Bastos numa crónica recente "Um espectro percorre Portugal: é o espectro da pobreza, da miséria moral, da fraude, da mentira, do embuste, da indecência, da ladroagem, da velhacaria". E o BES (as fraudes cometidas pelos seus gestores, entenda-se) foi a bomba que rebentou em resultado desse espectro. Só que o BES não acabou, dividiu-se em dois: o que já não é Banco (o BES propriamente dito) e um novo banco, o bom banco, a quem chamaram o "Novo Banco". Mas depois de tantos anos a pergunta é legítima: criar um "Novo Banco" faz-nos esquecer o velho?

Claro que não, muito embora o que continue a preocupar os cidadãos seja saber quais as consequências que vão sentir nos seus bolsos, directa ou indirectamente, o que podem perder das suas economias e investimentos. Pelo menos neste momento já saberão se ficaram a pertencer ao BES (o mau banco) ou ficam "tranquilamente" no Novo Banco, ou a ambos. Mas a dúvida persiste, que confiança é que poderão vir a ter num banco que agora foi criado - que, este sim, juram ser credível - depois de assistirem nos últimos tempos a inúmeros casos de fraudes cometidas por bancos em que supostamente deviam confiar e a quem entregaram os seus pecúlios. É que não há acções de marketing suficientemente capazes para, assim num abrir e fechar de olhos, devolverem a confiança aos clientes. Não basta mudar o nome do Banco, o seu logótipo ou os seus gestores ... É que entre "o bom e o mau" vai a distancia de um banco.