Já em Julho do ano passado Cavaco Silva sobressaltou os portugueses com o anúncio de uma comunicação ao país. Ninguém sabia (nem pouco mais ou menos) o que se iria passar, se os espanhóis tinham invadido o Alentejo, se tinha sido descoberto petróleo em Peniche ou se ele se iria demitir. Resultado, Cavaco só queria informar o país que não estava de acordo com aquela história do Estatuto dos Açores apresentado pelo Governo. Interrompeu ele as suas merecidas férias para, afinal, dizer nada que verdadeiramente interessasse ao Zé-povinho.

Como não aprendi com o sucedido, o anúncio de novo discurso para a abertura dos telejornais da última noite voltou a deixar-me nervoso. Tanto mais que, desta vez, adivinhava-se que a “inventona” das escutas e da demissão do assessor presidencial iriam, finalmente, ser explicadas em pormenor. Mais, pressentia-se que, de uma vez por todas, os culpados teriam nomes e as muitas dúvidas que perpassavam pelas cabeças de todos iriam ser clarificadas.
Nada disso. O Presidente foi agressivo, confuso, deixou todos com mais dúvidas ainda e não deu azo a que houvesse contraditório, por mais pequeno que ele fosse. Depois do comunicado “fechou a loja” e todos ficámos com montes de perguntas entaladas na garganta.
Foi um discurso estranho com justificações demasiadas. Pergunta-se, tanta agitação para isto?