
E é por isso que não percebo como é que eu, que não sou completamente idiota, consegui achar piada, durante algum tempo, ao Alberto João Jardim.
Assim como não percebo como é que, nestes últimos anos, ele vem sendo progressivamente mais ofensivo para com os governantes da Nação e os habitantes do continente, e ninguém - ouviram bem - NINGUÉM, o consegue pôr na ordem e dizer-lhe que ele é, apenas, o responsável pela Região Autónoma da Madeira e não o Imperador de uma qualquer república das bananas, que, neste caso, é República mas não é das bananas e se chama Portugal, e de que ele e a sua ilha também fazem parte.
E quando digo que ninguém o consegue calar, quero dizer exactamente isso. Adversários políticos e correligionários de partido são impotentes para conter a verborreia incontinente que chega mesmo a achincalhar tudo e todos, como aconteceu, ainda não há muito, ao actual Presidente da República, quando o tratou por Sr. Silva.
Até um dos maiores jornais espanhois, o “EL Mundo”, falou dos excessos verbais e do ataque sistemático à metrópole de Alberto João Jardim e considerou o Presidente do Governo Regional da Madeira como “o professor português do insulto”.
É uma figura intratável, detestável, desbocada e que não respeita nada nem ninguém.
E porque nada respeita e porque se armou uma vez mais em chico-esperto, tratou de contrair um endividamento de cerca de 150 milhões de euros, apesar de, por duas vezes este ano, o ter solicitado ao Ministério das Finanças e, este, o ter informado, também por duas vezes, que não autorizavam o empréstimo, pela simples razão que desde 2005, e de acordo com a Lei das Finanças Regionais, há limites máximos para endividamentos das autarquias e das regiões, e esses limites são para cumprir.
Pois o Banco de Portugal denunciou que, na prática, o empréstimo havia sido realizado e o Ministro de Finanças, Teixeira dos Santos (o Sr. Santos como certamente passará a ser chamado por Alberto João) fez, apenas, aquilo que devia, ou seja, avisou o Governo Regional da Madeira de que iriam deixar de ser processadas as costumadas transferências, já a partir deste ano e até o Governo Regional pagar o que deve.
O secretário-geral do PS, José Sócrates, declarou domingo, no Funchal, que "é tempo de dizer basta. O rigor e o cumprimento da lei são para todas as instituições e ninguém está acima da lei".
Ninguém, Alberto? Nem mesmo o todo poderoso Jardim, senhor incontestado da Madeira e a quem, há anos e anos ninguém se atrevia a dizer que não, por puro medo ou para não perder votos nas eleições?
Olha que se deixam de recear as tuas atoardas e os ataques obscenos que desferes, nesse teu estilo tão próprio mas já insuportável de ouvir, não tarda que te vejam como um mero dirigente patusco, a quem a retirada de cena é a única alternativa.
Independentemente do progresso que todos reconhecem que a Madeira tem vindo a registar ao longo destes últimos vinte anos, tendo no comando o próprio Alberto João Jardim (com as ajudas das enormes transferências de dinheiros saídas do Orçamento Geral do Estado e da União Europeia, melhor fora que a ilha não se transformasse e modernizasse), apesar disso, é bom que se diga que o "Basta" proclamado por José Sócrates representa o sentimento generalizado dos portugueses, pelo menos daqueles que o Dr. Jardim apelida de "cubanos" e que vivem no minúsculo "rectângulo" que, agora, o afronta pela voz desses malditos socialistas, a quem o Dr. Jardim responsabiliza pelo caos em que transformaram o país.
O actual Governo da Nação ao aprovar uma Lei das Finanças Regionais (que até teve pareceres muito favoráveis de distintos economistas do PSD, incluindo a insuspeita - por competente - Drª. Manuela Ferreira Leite), procuraram fazer uma lei mais justa e solidária, mais moderna e actual. Uma lei mais responsabilizante, mas que continue a afirmar os princípios da autonomia, isto é, o princípio da solidariedade e da inter-ajuda entre o todo nacional, entre o Continente e as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
Alberto João, parece que desta vez é que perderam o medo de te enfrentar. Já não era sem tempo!
















